O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região está sendo processado pelo Santander (Brasil) após publicar vídeos no YouTube e notícias em seu site denunciando a falta de segurança na unidade Select/Work Café, localizada na Praça Portugal, em Bauru.
As publicações do Sindicato abordam a retirada da porta giratória e dos vigilantes da unidade, que passou recentemente por uma reforma. Em maio, o local foi invadido por uma mulher seminua, que, segundo relatos, exigia dinheiro e comida para deixar o estabelecimento. Durante a ocorrência, ela chegou a arremessar uma cadeira contra pessoas que estavam no local.
O episódio provocou apreensão entre funcionários e clientes e foi divulgado pelo Sindicato como um exemplo dos riscos decorrentes da ausência de profissionais de segurança na unidade.
Bancário precisou intervir na ocorrência
O Sindicato também divulgou imagens da ocorrência e informou que um bancário precisou intervir para retirar a mulher do ambiente. Na ação movida contra a entidade, porém, o Santander afirma que o vídeo divulgado pelo Sindicato contribuiria para transmitir uma imagem de “desorganização e negligência com clientes e empregados” e sustenta que a publicação não destacaria o “comparecimento de profissional de segurança, que intervém na ocorrência e conduz a usuária para fora da agência de forma serena e respeitosa, sem o emprego de força física desnecessária”.
Contudo, a alegação do banco não corresponde ao que efetivamente ocorreu. Não foi um segurança que retirou a mulher da unidade, mas sim um bancário. Ou seja, isso é justamente o que o Sindicato denunciou em suas publicações: a agência não conta mais com vigilantes, e um trabalhador acabou tendo que se expor a uma situação de risco para retirar uma pessoa do local.
“Satãder”: um trocadilho antigo do movimento sindical
Outro ponto questionado pelo Santander é o uso do termo “Satãder” e de uma pessoa fantasiada em conteúdos publicados pelo Sindicato. O trocadilho é utilizado há décadas por trabalhadores do Santander e pelo movimento sindical nacional como uma forma de crítica às políticas e práticas do banco consideradas prejudiciais aos trabalhadores e clientes.
No entanto, o Santander alega que as publicações do Sindicato fazem “uso do nome empresarial, da marca, dos demais sinais distintivos e da imagem da fachada da agência do Santander como elementos centrais de uma narrativa depreciativa e satírica”, capaz de associar a imagem da instituição à ideia de negligência na prestação de serviços e no tratamento de empregados.
Para o Sindicato, entretanto, a tentativa de transformar uma crítica sindical em motivo de processo judicial representa uma forma de intimidação e de restrição ao direito de manifestação da entidade.
Banco pede retirada dos conteúdos e indenização
Na ação, o Santander pede que os vídeos e as notícias publicados pelo Sindicato sejam imediatamente indisponibilizados e, posteriormente, excluídos. Entre os conteúdos estão até mesmo duas publicações que tratam das demissões ocorridas em Bauru e Avaré e do aumento no número de fechamentos de agências.
O banco também requer que a entidade seja condenada ao pagamento de indenização por supostos danos à sua reputação. A Justiça já negou concessão da tutela de urgência.
O Sindicato já prepara sua defesa e afirma que demonstrará que as publicações estão amparadas pelo direito à liberdade de expressão e pela atuação sindical na defesa dos interesses dos trabalhadores. A entidade também pretende destacar que as publicações se basearam em fatos ocorridos na própria unidade e tiveram como objetivo denunciar uma questão de interesse coletivo: as condições de segurança oferecidas a bancários e clientes.

