A Caixa Econômica Federal apresentou, no último sábado (29), sua proposta final para o Saúde Caixa. Para o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, o texto representa um duro golpe no plano de saúde e impõe aos empregados e aposentados uma conta cada vez mais pesada para manter um benefício construído ao longo de décadas de trabalho.
Para os empregados da ativa, a contribuição do titular passará a variar de acordo com a faixa etária, enquanto será cobrada uma mensalidade fixa por dependente:
- De 0 a 18 anos, o valor do titular é de 2,70%, e o valor por dependente é de R$ 480.
- De 19 a 23 anos, o titular paga 2,90%, e o valor por dependente é de R$ 500.
- De 24 a 28 anos, o titular paga 3,10%, e o valor por dependente é de R$ 520.
- De 29 a 33 anos, o titular paga 3,30%, e o valor por dependente é de R$ 540.
- De 34 a 38 anos, o titular paga 3,50%, e o valor por dependente é de R$ 560.
- De 39 a 43 anos, o titular paga 3,70%, e o valor por dependente é de R$ 580.
- De 44 a 48 anos, o titular paga 3,90%, e o valor por dependente é de R$ 600.
- De 49 a 53 anos, o titular paga 4,10%, e o valor por dependente é de R$ 620.
- De 54 a 58 anos, o titular paga 4,30%, e o valor por dependente é de R$ 640.
- Para 59 anos ou mais, o titular paga 4,50%, e o valor por dependente é de R$ 660.
Aposentados serão ainda mais penalizados
Para aposentados, o impacto é ainda mais grave. A contribuição do titular sobe de 3,5% para 4,5% da remuneração-base, enquanto a mensalidade por dependente salta de R$ 480 para R$ 660.
Um aumento que atinge justamente aqueles que, depois de décadas de contribuição e trabalho na Caixa, chegam a uma fase da vida em que a necessidade de assistência à saúde aumenta e encontram um plano cada vez mais caro e menos acessível.
O teto de comprometimento da renda do grupo familiar também será ampliado, passando de 7% para 9%. A proposta mantém ainda as 13 mensalidades anuais.
Além disso, os dependentes indiretos, entre eles filhos de 21 a 27 anos, ficarão fora do teto familiar. A diferenciação existente entre as faixas de 21 a 24 e de 24 a 27 anos também será eliminada. Todos os usuários terão ainda um piso de contribuição de R$ 50.
Coparticipação
A Caixa propõe isenção de coparticipação para telemedicina, internações e tratamentos oncológicos. Embora essas medidas sejam positivas, elas estão longe de compensar o conjunto de aumentos apresentado.
Um exemplo é a consulta em pronto-socorro, cujo valor de coparticipação dobrará, passando de R$ 75 para R$ 150. O limite anual por grupo familiar também aumentará de R$ 3.600 para R$ 4.800.
Quem sair, não poderá voltar
Outro ponto extremamente preocupante é a regra de adesão. A proposta prevê recadastramento anual dos titulares e de seus grupos familiares e estabelece um prazo de 90 dias para que empregados que atualmente estejam fora do Saúde Caixa possam aderir ao plano.
Depois desse período, porém, quem cancelar a adesão não poderá retornar ao plano.
Para o Sindicato, o Saúde Caixa, que deveria ser um instrumento de proteção à saúde e de valorização dos empregados, transformou-se em um verdadeiro pesadelo e ameaça se tornar inacessível para milhares de famílias, principalmente os aposentados.
E o problema se agrava porque o reajuste salarial proposto pela Fenaban não é suficiente para compensar o aumento dos custos com o Saúde Caixa. Na prática, o trabalhador terá uma parcela cada vez maior de sua renda comprometida com o plano, o que significa perda de poder de compra e redução real de sua renda disponível.
Depois de anos de dedicação à Caixa, é inadmissível que trabalhadores sejam colocados diante de uma escolha cruel em comprometer uma parcela cada vez maior da renda para permanecer no plano ou abrir mão da assistência à saúde porque ela se tornou cara demais. A saúde não pode ser tratada como mercadoria, muito menos como mais uma fonte de economia às custas dos trabalhadores.
Como afirmou Pepo Barbosa, conselheiro da Funcef, durante a paralisação nacional de 20 de agosto, não há vergonha alguma em utilizar o SUS. Vergonhoso é permitir que aposentados que dedicaram décadas à Caixa sejam privados de um acesso digno ao plano de saúde da empresa justamente no momento em que mais precisam dele.
Diante desse cenário, o Sindicato orienta a rejeição da proposta do Saúde Caixa. A assembleia será realizada nesta segunda-feira (31), às 18h30, na sede da entidade. A participação de todos é fundamental.


