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No 1º dia da CPI, Mandetta relata ações contrárias de Bolsonaro no combate à pandemia

05/05/2021

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O primeiro dia de depoimentos da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid teve início ontem (4), e foi marcado pela afirmação do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, de que o presidente Jair Bolsonaro contrariou diversas orientações do Ministério baseadas na ciência para o combate à pandemia do coronavírus.

Mandetta, que foi demitido por Bolsonaro em 16 de abril de 2020 após não concordar com a ausência de estratégias do governo para conter a velocidade do contágio da Covid-19, afirmou que a postura negacionista do presidente contribuiu para a disseminação desenfreada do vírus e a atual situação do país, com mais de 400 mil mortes.

O ex-ministro relatou que chegou a escrever uma carta para Bolsonaro defendendo o isolamento. No documento, com a data de 28 de março do ano passado, e que foi entregue à CPI como prova, Mandetta “recomenda expressamente” ao presidente que reveja o posicionamento adotado, acompanhando as recomendações do Ministério da Saúde, “uma vez que a adoção de medidas em sentido contrário poderá gerar colapso do sistema de saúde e gravíssimas consequências à saúde da população”.

Na carta, Mandetta também desabafa sobre a falta de apoio do governo federal, mesmo diante das orientações e recomendações de especialistas e autoridades em saúde de todo o mundo. “Em que pese todo esforço empreendido por esta Pasta para proteção da saúde da população e, via de consequência, preservação de vidas no contexto da resposta à epidemia da Covid-19, as orientações e recomendações não receberam apoio deste Governo Federal, embora tenham sido embasadas por especialistas e autoridades em saúde, nacionais e internacionais, quais sejam, o isolamento social e a necessidade de reconhecimento da transmissão comunitária”, diz um trecho do documento.

Outro ponto importante da declaração de Mandetta, foi que uma minuta de decreto presidencial propôs que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alterasse a bula da cloroquina para que o medicamento fosse indicado no tratamento da Covid-19.

Renan Calheiros (MDB-AL), senador e relator da CPI, considerou as declarações do ex-ministro como esclarecedoras, “relevantes” e graves. As declarações contribuem para a análise de indícios de cometimento de crimes por parte de Bolsonaro durante a pandemia de coronavírus.

“O depoimento mostrou que houve aconselhamento paralelo na Covid, adoção da cloroquina ao arrepio do Ministério, participação de Carlos Bolsonaro em reuniões e alerta sobre 180 mil mortes”, disse Renan em mensagem enviada ao jornal Folha de São Paulo.

A “fuga” de Pazuello

A audiência do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello na CPI da Covid do Senado que estava marcada para hoje (5), foi adiada após o militar informar que teve contato recente com pessoas com Covid-19 e pedir para não comparecer. O depoimento do ex-ministro foi remarcado para o dia 19 de maio.

Segundo a CNN Brasil, o adiamento do depoimento de Pazuello foi coordenado pela Secretaria-Geral da Presidência, de Onyx Lorenzoni. Antes, havia a intenção de que o depoimento fosse realizado por videoconferência.

Sobre o adiamento, o presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que “não haverá subterfúgio (contra a oitiva). Todos os depoimentos serão presenciais”.

Nesta quarta-feira (5), ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, depõe na CPI da Covid. O segundo titular da pasta no governo Jair Bolsonaro comandou o Ministério por menos de um mês, entre 17 de abril e 15 de maio do ano passado, e também deixou o cargo após divergências com o presidente sobre políticas a serem adotadas contra o coronavírus.

Para o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, os depoimentos dos três ex-ministros da Saúde serão fundamentais para a comprovação do que é óbvio: desde o início da pandemia, Bolsonaro foi omisso e por conta dessa ausência de ações para auxiliar no combate à Covid-19, milhares de brasileiros perderam a vida para a doença. Genocida! Fora, Bolsonaro!

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