A campanha salarial da categoria bancária avançou para a terceira rodada de negociações com a Caixa Econômica Federal. No dia 23 de julho, representantes do movimento sindical se reuniram com a direção do banco para discutir uma série de reivindicações dos empregados.
Durante o encontro, a Caixa apresentou dados sobre diversidade, incluindo informações sobre a representação feminina, a distribuição racial por nível hierárquico e as designações para chefias de unidade. Os números mostram que as mulheres representam 44,25% do quadro de empregados, mas ocupam apenas 29,12% das chefias de unidade.
Nas designações para chefias de unidade realizadas em 2026, as mulheres correspondem a 40,91% das nomeações, enquanto os homens representam 59,09%. O tempo médio para alcançar a primeira função de chefia também é maior entre as mulheres: são 4.375 dias, contra 3.913 dias para os homens.
Os dados também indicam sub-representação de pessoas negras nos cargos de chefia. No quadro geral da Caixa, pessoas pardas representam 24,20% dos empregados e pessoas pretas, 4,11%. Entre as chefias de unidade, esses percentuais caem para 21,09% e 3,21%, respectivamente.
O banco apresentou uma proposta de cláusulas sobre equidade de gênero, diversidade e inclusão. No entanto, o conteúdo da proposta não foi detalhado pela Contraf-CUT.
Plano de Funções Gratificadas (PFG), Plano de Cargos e Salários (PCS) e Processos Seletivos Internos (PSIs)
O movimento sindical destacou que o banco não tem valorizado a trajetória profissional dos trabalhadores, como por exemplo, os técnicos bancários que ainda não estão no PCS de 1998. A atualização dos planos busca corrigir distorções acumuladas ao longo dos anos, além de superar falhas nos sistemas de avaliação e remuneração que geram insegurança, sobrecarga de trabalho e adoecimento entre os empregados.
Em relação ao PSI, foi defendido que os processos seletivos internos respeitem princípios de transparência, impessoalidade, objetividade e diversidade, com regras conhecidas previamente e participação de bancas examinadoras diversas, garantindo igualdade de oportunidades para mulheres, pessoas negras, PCDs, LGBTQIA+ e demais trabalhadores.
A Caixa informou que há estudos em andamento sobre os planos e se comprometeu a buscar informações para apresentar à mesa.
Cláusula específica sobre teletrabalho
O movimento sindical reiterou a necessidade de inclusão de cláusula específica sobre teletrabalho no ACT da Caixa, garantindo os mesmos direitos de quem trabalha presencialmente, além de respeito à jornada, direito à desconexão, estrutura adequada, ajuda de custo e atenção à saúde do trabalhador em home office. Também foi reivindicado que trabalhadores de áreas como tecnologia atuem 100% remotamente.
Genesys e Alcance.Caixa
O modelo de atendimento “figital”, no qual os empregados das unidades físicas precisam conciliar o atendimento presencial com as demandas digitais por meio da ferramenta Genesys, foi criticado pelos representantes dos trabalhadores. A exigência de atender simultaneamente a fila de clientes na agência e as solicitações digitais, sob metas rigorosas, controle constante do tempo e intensa pressão por resultados, tem contribuído para o adoecimento dos empregados. Além disso, esse modelo impacta negativamente o Alcance, prejudicando o desempenho do trabalhador e podendo reduzir sua remuneração variável.
Desse modo, foi cobrado que a Caixa apresente estudos sobre os impactos do Genesys e do atendimento presencial simultâneo, inclusive considerando a NR-1, com informações sobre o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), inventário de riscos, medidas de prevenção e acompanhamento pelas CIPAs.
Saúde Caixa
Sobre o plano de saúde, a CEF apresentou novos dados sobre adesões, cancelamentos, perfil da base e composição dos beneficiários. Entre 2023 e fevereiro de 2026, houve 20.056 adesões, 35.446 cancelamentos e saldo líquido negativo de 15.390 vidas no plano.
Os dados também trouxeram informações sobre empregados contratados após 2018. Dos 13.929 empregados nessa condição, 12.324 estão no Saúde Caixa, o que representa 88,5% da base. Outros 916 nunca aderiram e 689 cancelaram o plano.
O movimento sindical reforçou que a recusa do banco em conceder o direito ao plano a esses bancários quando se aposentarem, com participação da Caixa no custeio, quebra o pacto intergeracional que sustenta o Saúde Caixa.
Em relação à retomada do modelo de custeio 70/30, no qual 70% dos custos são arcados pela Caixa e 30% pelos empregados, o banco afirmou que, caso a medida fosse retomada, garantiria sustentabilidade ao Saúde Caixa por dois anos.
O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região apoia a retomada do custeio 70/30, juntamente com o fim do limite de 6,5% da folha salarial para custeio do plano.
A próxima reunião de negociação específica com a Caixa será realizada no dia 31 de julho, em São Paulo. A entidade segue acompanhando todas as tratativas.

