A Caixa Econômica Federal apresentou, na última quarta-feira (5), uma proposta de alteração no Saúde Caixa que amplia os custos para os empregados. Pela regra atual, a mensalidade do titular corresponde a 3,5% da remuneração-base. Pela nova proposta, esse percentual subiria para 5,5%.
O impacto também seria sentido pelos dependentes. O valor para dependente direto passaria de R$ 480 para R$ 870, enquanto o de dependente indireto subiria de R$ 480 para R$ 930. Já para filhos de 24 a 27 anos, a contribuição aumentaria de R$ 800 para R$ 1.050. Além disso, o limite de comprometimento da renda familiar seria ampliado de 7% para 14%, dobrando o teto atualmente praticado.
Segundo a Caixa, as novas cobranças passariam a valer já em 1º de setembro de 2026. O movimento sindical rejeitou a proposta ainda na mesa de negociação, e o banco informou que fará uma nova análise dos valores apresentados.
O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região repudia essa tentativa da Caixa de transferir, mais uma vez, aos empregados o peso do financiamento do plano de saúde. Mesmo sem esse reajuste, a participação dos beneficiários já está muito acima dos 30% previstos no modelo de custeio 70/30, que a CEF insiste em rejeitar.
Os números comprovam esse desequilíbrio. Em 2025, a contribuição líquida da Caixa foi de aproximadamente R$ 2,02 bilhões. Já as mensalidades pagas pelos usuários somaram R$ 1,39 bilhão, enquanto as coparticipações alcançaram R$ 303,6 milhões. Na prática, a Caixa financiou cerca de 54% do plano, enquanto empregados, aposentados e pensionistas arcaram com aproximadamente 46% dos custos.
Escalada do adoecimento
A proposta também ignora o adoecimento dos empregados. A demanda por cuidados com a saúde mental cresce ano após ano. Em 2025, a psicologia respondeu por 60,3% dos custos da linha de terapias. Foram realizados mais de 1,67 milhão de atendimentos, com aumento de 48% no número de sessões.
Esse cenário não é fruto do acaso. A pressão constante por resultados, a redução do quadro de pessoal e as metas abusivas têm adoecido os trabalhadores. Em vez de enfrentar as causas desse problema e assumir sua responsabilidade na promoção da saúde e da qualidade de vida dos empregados, a Caixa apresenta uma proposta que dificulta ainda mais o acesso ao próprio plano de saúde. Ou seja, quem adoece em razão das condições de trabalho passa a pagar ainda mais para ter acesso ao tratamento. Essa lógica é inaceitável!
O Saúde Caixa precisa ser acessível, sustentável e financiado de forma justa. O Sindicato reforça a luta pelo fim do teto de 6,5% da folha de pagamentos e o restabelecimento do modelo 70/30. Chega de penalizar quem sustenta o banco público. Saúde não é mercadoria, é direito!

