Em reunião realizada no dia 7, para discutir a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) Macro, o Itaú foi questionado pelo movimento sindical sobre o fechamento de agências, a eliminação de postos de trabalho e a necessidade de ampliar a indenização adicional paga aos trabalhadores desligados em decorrência do encerramento dessas unidades.
Segundo informações apresentadas pelo próprio banco, 235 agências foram fechadas entre janeiro e outubro. Em apenas um ano, mais de 4 mil postos de trabalho foram eliminados, cenário que reforça a preocupação com os impactos da reestruturação sobre os bancários e a qualidade do atendimento à população.
Diante desse quadro, os representantes dos trabalhadores reivindicaram a ampliação da indenização adicional para todos os bancários da rede de agências dos segmentos Varejo e Digital, incluindo o segmento Empresas. A proposta também prevê a extensão do benefício aos empregados que pedem demissão.
Outra reivindicação foi o aumento dos valores pagos a título de indenização. Para o movimento sindical, os resultados financeiros do Itaú demonstram que o banco tem condições de ampliar a proteção oferecida aos trabalhadores afetados pelos cortes. O banco ficou de apresentar uma resposta às reivindicações na próxima reunião.
Teletrabalho, banco de horas e bolsas de educação
Durante a reunião, o Itaú informou que aproximadamente 50 mil empregados trabalham em regime híbrido, o equivalente a 67% do quadro de funcionários.
Sobre o banco de horas, foram apresentados dados de aproximadamente 10 mil horas extras pagas e outras 23 mil compensadas. O movimento sindical solicitou que o banco detalhe quantas dessas horas foram realizadas aos sábados, domingos e feriados.
Também foi reivindicado que as datas para compensação das horas sejam definidas de comum acordo entre empregado e empregador, sem imposição unilateral por parte do Itaú.
Em relação às bolsas de educação, o banco informou disponibilizar 5.661 bolsas para cursos de graduação, pós-graduação e segunda graduação. Desse total, 4.691 foram concedidas a bancários.
O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região defende que as negociações do ACT sejam concluídas o mais rápido possível. As discussões sobre o acordo deveriam ter sido realizadas durante a campanha salarial, e não serem adiadas para agora, quando os trabalhadores estão em uma posição menos favorável para pressionar o banco por avanços nas reivindicações.
Um banco que registrou lucro líquido gerencial de R$ 24,689 bilhões no primeiro semestre e, no segundo trimestre, alcançou R$ 12,407 bilhões, frente aos R$ 12,282 bilhões do trimestre anterior, não tem justificativa para manter essa política de fechamento de unidades e demissões.

