A 10ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-MG) aumentou de R$ 5 mil para R$ 7 mil o valor da indenização por danos morais que o Itaú deverá pagar a uma bancária que presenciou o suicídio de um vigilante dentro da agência onde trabalhava, em Belo Horizonte (MG).
A decisão reconheceu o impacto emocional provocado pelo episódio e considerou que o banco não comprovou ter oferecido suporte psicológico efetivo aos empregados após a tragédia.
Em primeira instância, a 16ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte havia fixado a indenização em R$ 5 mil. A bancária recorreu ao TRT-MG e pediu a majoração do valor.
Sem suporte do Itaú
Por unanimidade, os desembargadores entenderam que o Itaú não demonstrou ter adotado medidas concretas de apoio psicológico aos trabalhadores após o episódio.
O relator do processo, desembargador Marcus Moura Ferreira, destacou que o banco mantinha um programa institucional de apoio emocional, denominado “Fique OK”. No entanto, segundo o magistrado, a simples existência de um canal de atendimento não é suficiente para comprovar o cumprimento do dever do empregador de proteger a saúde dos trabalhadores.
De acordo com a decisão, não houve provas de que o programa estivesse efetivamente funcionando, que tivesse sido amplamente divulgado entre os empregados ou que tivesse oferecido atendimento adequado, especialmente após o episódio traumático. A ausência dessas medidas foi considerada uma omissão por parte do banco.
Tragédia aconteceu dentro da agência
O vigilante, que estava armado, tirou a própria vida no interior da agência, diante de colegas de trabalho. Apesar do forte impacto emocional causado pela ocorrência, a unidade permaneceu fechada somente no dia da tragédia e retomou o atendimento ao público já no primeiro dia útil seguinte.
Para os trabalhadores, situações dessa gravidade exigem mais do que a retomada das atividades: é necessário acolhimento, acompanhamento profissional e atenção aos possíveis impactos psicológicos provocados pela exposição a uma situação traumática. A escuta e o cuidado vão além do Setembro Amarelo
O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região se solidariza com a família do vigilante e com os trabalhadores do Itaú que presenciaram a tragédia. O impacto emocional de uma situação como essa não pode ser minimizado ou tratado como se nada tivesse acontecido.
É inadmissível que uma ocorrência dessa gravidade seja seguida apenas pela retomada das atividades, sem que os trabalhadores recebam, de forma efetiva, acolhimento e acompanhamento psicológico.
Presenciar um suicídio pode provocar consequências profundas na saúde mental de quem estava no local. A exposição a esse tipo de acontecimento pode gerar traumas e, em algumas situações, contribuir para o surgimento ou agravamento de pensamentos e comportamentos suicidas. Por isso, o acompanhamento profissional e o suporte emocional são fundamentais, especialmente após uma situação traumática.
O alerta não vale apenas para o Itaú, mas para todos os bancos. Trabalhadores precisam ser vistos, ouvidos e acolhidos, inclusive quando não conseguem ou não se sentem seguros para falar sobre o próprio sofrimento. Não basta manter canais de atendimento no papel. É preciso garantir que eles sejam conhecidos pelos empregados, estejam efetivamente disponíveis e ofereçam atendimento adequado quando necessário. A prevenção ao suicídio não pode se resumir ao Setembro Amarelo.
O Sindicato está à disposição dos trabalhadores para acolher, escutar e conversar. A entidade oferece atendimento psicológico gratuito aos bancários sindicalizados. Para informações sobre agendamento, entre em contato pelo telefone (14) 99868-5897.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) também oferece apoio emocional gratuito e prevenção do suicídio, 24 horas por dia, pelo telefone 188.

