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Bradesco tem sua própria “Rainha de Copas”: gestão tirana e humilhante precisa acabar!

13/10/2026

Bancos: Bradesco

A “Rainha de Copas”, famosa antagonista do livro e do filme Alice no País das Maravilhas, é conhecida por sua personalidade tirânica e autoritária. Sua frase mais marcante é: “Cortem-lhe a cabeça!”. Apesar de ser uma personagem de ficção, não faltam “Rainhas de Copas” no mundo real e, infelizmente, o setor financeiro não está imune a elas.

No Bradesco, essa personagem parece insistir em aparecer. Mas, em vez de simplesmente ordenar que “cortem-lhe a cabeça”, ela executa demissões imotivadas, cobra metas absurdas e expõe trabalhadores por meio de rankings de produção.

No mês passado, um bancário PCD (Pessoa com Deficiência), que exercia a função de gerente geral, foi demitido imotivadamente após 19 anos de serviços prestados ao banco. Ao longo de sua trajetória, o trabalhador conquistou diversos prêmios por alcançar os resultados estabelecidos pela própria instituição, inclusive no último semestre. Além dos resultados, era reconhecido pelos colegas como um gestor respeitado e admirado, especialmente pela forma como conduzia sua equipe sem recorrer ao assédio. Ainda assim, nada disso foi suficiente.

Antes de seu desligamento, em meio às reiteradas cobranças pelo cumprimento de metas, o empregado ouviu da Gerente Regional que “ser PCD não segura cargo”, sob o argumento de que não haveria estabilidade no banco em razão de sua condição de pessoa com deficiência.

Para o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região a fala, além de ser repudiável, é discriminatória e humilhante, pois reduz uma questão de direitos à ideia de que ser PCD seria uma espécie de vantagem ou proteção para permanecer no emprego. A declaração, proferida dentro de uma relação hierárquica, também pode ser caracterizada como assédio moral.

A situação se torna ainda mais grave porque, após o desligamento, os demais colegas da agência também foram responsabilizados pela demissão. Segundo a Gerente Regional, o desligamento teria ocorrido por culpa da própria equipe, sob a justificativa de que os trabalhadores não haviam alcançado as metas estabelecidas para a agência.

Outras práticas

O Sindicato apurou que a Regional tem estabelecido cobranças e metas ainda mais rigorosas do que aquelas já definidas pelo próprio banco. Segundo relatos, resultados que deveriam ser alcançados pelos trabalhadores ao longo de um mês estariam sendo exigidos em apenas um dia.

Durante as reuniões com os gerentes gerais, uma das frases mais recorrentes dela seria: “É inegociável”, utilizada ao tratar da entrega de resultados. Os bancários são pressionados diariamente a atingir metas relacionadas à comercialização de produtos como seguro de vida, consórcio, cartões e previdência. Quando os resultados esperados não são alcançados, a cobrança é direta: “Qual a desculpa de hoje?”

Os funcionários também são obrigados a enviar ao celular corporativo dos gerentes gerais uma foto de si mesmos acompanhada da quantidade de produtos ou negócios que conseguiram produzir naquele dia. Posteriormente, essas imagens são encaminhadas a um grupo do qual participam exclusivamente os gerentes gerais e a Gerente Regional.

A prática chama atenção porque, ainda que não haja a divulgação explícita de uma lista de colocação, o mecanismo permite identificar individualmente quem entregou ou não os resultados esperados. Ou seja, trata-se de uma forma de exposição e comparação individual dos trabalhadores, ainda que “mascarada”. Vale lembrar que a exposição de ranking individual é vedada pela Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria.

Os relatos também indicam que a cobrança teria chegado ao ponto de serem feitas contagens regressivas para o envio das fotos e o cumprimento das metas, além de um verdadeiro rodízio de ligações e cobranças ao longo do dia. A Regional e seus assessores ligavam de meia em meia hora, cobrando dos gerentes gerais que apontassem quem ainda precisava “fazer a sua parte” para alcançar o resultado estabelecido.

Os funcionários relatam ter explicado inúmeras vezes que estão fazendo tudo o que está ao seu alcance, mas que a contratação de um seguro, consórcio, cartão ou plano de previdência depende da decisão do cliente. Mesmo assim, a cobrança permanece, como se o trabalhador tivesse controle absoluto sobre a decisão do cliente.

Diante dos relatos recebidos, o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região defende que a conduta da Gerente Regional seja apurada rigorosamente pelo Bradesco. Também é fundamental esclarecer se esse tipo de conduta decorre de uma orientação institucional do banco ou de uma atuação individual da Regional.

Em qualquer dos casos, porém, é inadmissível que a cobrança por resultados seja utilizada como instrumento de pressão, constrangimento ou intimidação dos trabalhadores. Portanto, é necessário que essas práticas sejam imediatamente interrompidas.

O poder de uma “Rainha de Copas” também tem limite!

Protesto

Na última sexta-feira (9), mais uma bancária foi demitida no Bradesco. Ela tinha 16 anos de banco. Diante de toda essa situação, o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região realizou, nesta terça-feira (13), um ato para denunciar publicamente essas práticas abusivas e protestar contra os desligamentos.

A manifestação, que ocorreu na agência da Ezequiel Ramos, onde fica a Regional, contou com atores caracterizados como a Rainha de Copas e o Chapeleiro Maluco, personagens de Alice no País das Maravilhas. A encenação fez alusão ao desgaste emocional dos bancários, que estão sendo levados ao limite diante de tantas metas abusivas, cobranças excessivas e pressões diárias.

Durante o ato, clientes denunciaram ao Sindicato que não estavam conseguindo abrir contas sob a justificativa do banco de que o sistema estava fora do ar. No entanto, ao apurar a situação, a entidade constatou que a informação não procedia e interveio para garantir o direito dos clientes ao atendimento.

O Sindicato também identificou que apenas três funcionários estavam responsáveis por atender os clientes. Após a intervenção da entidade, o gerente remanejou trabalhadores que realizavam atividades internas para reforçar o atendimento ao público e, assim, reduzir a sobrecarga dos demais funcionários.

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