Uma bancária que trabalhou durante dez anos no Bradesco e foi desligada sem justa causa recebeu mais de R$ 110 mil em um acordo firmado por meio da Comissão Conciliatória Voluntária (CCV), fórum destinado à tentativa de conciliação entre trabalhadores e empregadores antes do ingresso de uma ação judicial. O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região intermediou a negociação entre a trabalhadora e o representante do banco.
Entre os pedidos apresentados estavam o pagamento de horas extras, equiparação salarial, salário-substituição, reconhecimento de desvio de função, reembolso de despesas com veículo, manutenção ou reativação do plano de saúde, indenização por danos morais relacionados à cobrança de metas e à doença ocupacional, além de diferenças de PLR, entre outros.
Cobrança de metas e adoecimento
Entre os itens discutidos na CCV, ganhou destaque o pedido de indenização por danos morais. A bancária atuava como gerente de negócios e atendimento, mas era cobrada pelo cumprimento de metas como se exercesse a função de gerente comercial. Ela afirmou ter sofrido assédio moral por parte da gerente geral, situação que teria contribuído para o surgimento de crises de pânico e burnout.
Em razão do quadro, a trabalhadora precisou realizar, durante cerca de um ano e meio, acompanhamento médico com psiquiatra, além de terapia e uso de medicamentos controlados.
Ao procurar o gerente regional para pedir ajuda, ela relatou ter ouvido que ele já a ajudava muito ao pagar seu salário. O Sindicato repudia veemente essa fala, que desvaloriza o trabalho e a dignidade da trabalhadora.
Além disso, ela e os demais colegas recebiam diariamente e-mails com a divulgação de suas posições individuais em rankings de desempenho. A exposição pública de ranking individual é vedada pela Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria.
“Logo no início do dia, era necessário informar o que eu poderia contribuir para a regional, para que as metas fossem atingidas, e isso causava um desespero gigante, pois, por diversas vezes, acordava na madrugada pensando no que seria cobrado de mim logo pela manhã. E, no final do dia, quando não conseguia atingir o objetivo, vinha o desespero de apresentar uma produção zerada”, relatou.
Segundo a bancária, o sofrimento chegou a provocar sintomas físicos intensos. Ela conta que chegou a sentir sensações semelhantes às de um infarto ou AVC, que posteriormente foram relacionadas ao quadro de burnout.
Diante dos relatos e dos pedidos apresentados durante a CCV, o banco ofereceu um acordo de pouco mais de R$ 116 mil para encerrar o conflito. A proposta foi aceita pela trabalhadora.
Entenda a CCV
A Comissão Conciliatória Voluntária é formada por igual número de representantes dos trabalhadores e dos empregadores, buscando garantir equilíbrio entre as partes durante as negociações.
A participação do Sindicato na mediação é importante para assegurar o acompanhamento da negociação e a orientação do trabalhador. Com o suporte jurídico da entidade, é possível verificar os termos do acordo e identificar eventuais violações ou renúncias indevidas a direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho ou em outros instrumentos coletivos da categoria.
Foi desligado sem justa causa ou pediu demissão e tem dúvidas sobre seus direitos? Entre em contato com o Departamento Jurídico do Sindicato pelo telefone (14) 99867-9635. Os advogados da entidade estão disponíveis de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

