De acordo com reportagem publicada pelo jornal O Globo nesta quarta-feira (28), integrantes do governo consideram praticamente certa a saída de Tarciana Medeiros da presidência do Banco do Brasil. Pela legislação vigente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode promover a substituição sem a necessidade de negociar a decisão com partidos aliados.
Tarciana tem sua possível saída associada à queda da lucratividade da instituição. Em 2025, o banco registrou lucro de R$ 20,7 bilhões, recuo de 45,4% em relação a 2024, quando alcançou o maior resultado de sua história. O desempenho foi impactado, principalmente, pelo aumento da inadimplência no agronegócio e pela adoção de novas regras contábeis. Os efeitos negativos persistiram em 2026. No primeiro semestre, o lucro líquido ajustado do banco somou R$ 7,3 bilhões, queda de 34% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
No segundo trimestre, porém, a instituição apresentou uma recuperação de 3,3%, com lucro de R$ 3,9 bilhões. O avanço, contudo, ocorreu sobre uma base de comparação mais baixa, já que, no mesmo período de 2025, o resultado havia registrado retração de 60%. Diante desse cenário, em maio, o Banco do Brasil reduziu suas projeções de lucro para 2026. A estimativa, que antes variava entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, foi reduzida para uma faixa de R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões.
Ainda segundo a reportagem, Tarciana deverá deixar a presidência do Banco do Brasil, mas poderá permanecer no governo federal. Seu nome é cogitado para assumir um cargo em um dos ministérios da área social.
O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região defende a saída de Tarciana Medeiros da presidência do Banco do Brasil não pela queda da lucratividade da instituição, mas pela falta de compromisso com a defesa dos direitos dos funcionários. Ela foi omissa diante de reestruturações, dos inúmeros casos de assédio moral relacionados à cobrança abusiva de metas e do consequente adoecimento dos trabalhadores.
Funcionária de carreira do BB, Tarciana conhecia de perto a realidade enfrentada pelos colegas, mas, em vez de defender os interesses do funcionalismo, adotou uma gestão digna de banqueiro. Faltou olhar para as pessoas, para as condições de trabalho e para a saúde de quem, assim como ela no passado, constrói a instituição.
A entidade espera que o presidente Lula indique alguém comprometido não apenas com o fortalecimento do Banco do Brasil, mas também com a valorização dos funcionários. Fortalecer o banco exige, necessariamente, respeitar seus trabalhadores, assegurar condições dignas de trabalho e colocar as pessoas no centro das decisões.
Caixa
A reportagem de O Globo aponta que a permanência de Carlos Vieira na presidência da Caixa Econômica Federal dependerá de uma decisão do presidente Lula, em meio às articulações políticas para ampliar a base de apoio do governo no Congresso Nacional.
Carlos Vieira chegou ao comando da instituição por indicação de Arthur Lira (PP-AL), então presidente da Câmara dos Deputados, e está à frente do banco há quase três anos. Com o cenário político que se desenha após as Eleições de 2026, marcado pela força da direita no Congresso, a disputa por espaços no governo tende a intensificar as negociações e a pressão por acordos políticos.
Para o Sindicato, a governabilidade não pode servir de justificativa para colocar em risco os direitos dos empregados e o futuro da Caixa como banco público. É legítimo que o governo busque diálogo e articulação política, mas essas alianças não podem colocar os direitos dos empregados em jogo.
A Caixa não pode ser tratada como moeda de troca em negociações políticas. Sua gestão precisa estar comprometida com o interesse público, com a valorização de quem constrói diariamente os resultados do banco e com a preservação de seu papel social.

