A Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) finalmente quebrou o silêncio ensurdecedor de não apresentar uma proposta de reajuste à categoria. Depois de 10 rodadas de negociação, os representantes dos banqueiros apresentaram duas propostas completamente vergonhosas e inaceitáveis, ambas abaixo da inflação e incapazes de garantir qualquer valorização aos bancários.
A primeira proposta previa apenas 2,06% de reajuste, equivalente a 50% da inflação, o que representaria uma perda real de 1,99% na remuneração da categoria. Rechaçada pela Contraf-CUT, a proposta foi retirada da mesa.
Na retomada das negociações, a Fenaban voltou com um índice um pouco maior, mas ainda completamente distante do que os bancários merecem: 2,57% de reajuste, correspondente a apenas 62% da inflação e a uma perda real de 1,50% nos salários.
E não para por aí. Além do reajuste insuficiente, a primeira proposta da Fenaban atacava diretamente direitos e conquistas históricas da categoria. Entre os absurdos apresentados estavam:
- Fim da indenização por morte ou incapacidade decorrente de assalto e do auxílio-funeral;
- Retirada da multa em caso de descumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT);
- Congelamento da PLR e do piso de ingresso;
- Exclusão da verba de requalificação profissional;
- Exclusão da gratificação de compensador de cheques;
- Exclusão da ajuda de deslocamento noturno.
A proposta foi rechaçada pela Contraf-CUT. Depois disso, a Fenaban apresentou parte dos mesmos ataques, combinados com o reajuste de 2,57%. A nova proposta previa:
- Congelamento da PLR e do piso de ingresso;
- Reajuste de apenas 2,57% no auxílio-creche/babá, no auxílio para pais com filhos PcD e na ajuda de custo para o teletrabalho;
- Exclusão da gratificação de compensador de cheques;
- Exclusão da ajuda de deslocamento noturno.
Durante a própria negociação, diante da resistência da representação dos trabalhadores, a Fenaban voltou atrás em dois pontos: manteve a verba de requalificação profissional, com reajuste de 2,57%, e desistiu de retirar a multa em caso de descumprimento da CCT.
Pior reajuste de 2026
A proposta de 2,57% está entre os 0,46% piores reajustes negociados em 2026. Isso significa que 99,54% das negociações salariais firmadas até agora garantiram índices superiores.
Enquanto os bancos tentam vender um reajuste que sequer repõe integralmente a inflação, o setor financeiro segue acumulando lucros bilionários. Somente em 2025, os bancos alcançaram R$ 182 bilhões em lucro. O impacto do reajuste proposto pela Fenaban representa apenas 0,9% do lucro do setor.
O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região repudia veementemente a postura da Fenaban. Trabalhadores enfrentam metas abusivas, sobrecarga, adoecimento e pressão diária, enquanto os banqueiros lucram bilhões e, ainda assim, chegam à mesa de negociação tentando reduzir direitos e impor perdas à categoria.
Não é razoável que um setor que lucra R$ 182 bilhões se recuse a garantir sequer a reposição integral da inflação aos trabalhadores que fazem o sistema financeiro funcionar.
A negociação será retomada nesta quarta-feira (26), e o Sindicato seguirá firme na pressão por uma proposta decente e na defesa de que a Contraf-CUT convoque novas assembleias para decretar a greve. A Fenaban precisa entender que não haverá acordo à custa de perdas para os bancários. Se os bancos têm bilhões para distribuir em lucros, têm também condições de reconhecer quem produz esses resultados todos os dias.
2,57% não é valorização! É perda, retrocesso e desrespeito!

