A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) mostrou, mais uma vez, de que lado está. Na quarta mesa de negociação da campanha salarial, realizada no dia 21, a entidade ameaçou retirar da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) cláusulas relacionadas à saúde dos bancários, justamente em um momento em que os índices de adoecimento da categoria atingem níveis alarmantes.
A reação veio após o movimento sindical apresentar dados que escancaram a crise de saúde mental vivida pelos trabalhadores do setor. Em vez de discutir soluções para enfrentar o problema, a Fenaban preferiu responder com ameaças. Uma tentativa explícita de intimidar os representantes dos trabalhadores e desviar o foco da realidade insustentável vivida diariamente dentro dos bancos.
Em 2024, os bancários responderam por 25% de todos os afastamentos acidentários por doença mental registrados pelo INSS. Mais da metade dos afastamentos na categoria ocorreu em razão de transtornos mentais, reflexo de um ambiente marcado por pressão constante, metas abusivas e sobrecarga de trabalho. Veja abaixo comparativo entre 2012 e 2024.
Além disso, segundo pesquisa realizada com cerca de 55 mil trabalhadores entre abril e maio de 2026:
- 40% dos bancários afirmaram terem utilizado medicamentos controlados (antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes) no último ano;
- 67% afirmaram preocupação constante com o trabalho;
- 59%, que os impactos são cansaço e fadiga constante;
- 47% apontaram desmotivação, vontade de não ir trabalhar;
- 42% sofrem com crises de ansiedade/pânico;
- 39%, que estão com dificuldades em dormir, mesmo aos finais de semana; e
- 24%, com medo de “estourar” e perder a cabeça.

Endividamento também adoece
Na rodada anterior de negociações, o movimento sindical apresentou uma proposta de criação de um programa de crédito com juros reduzidos para bancários endividados. A medida buscava atacar um dos fatores que agravam o adoecimento da categoria, já que o endividamento, somado à cobrança permanente por resultados, compromete não apenas a vida financeira dos trabalhadores, mas também sua saúde mental.
Contudo, a Fenaban recusou a proposta de oferecer taxas diferenciadas e afirmou que a única alternativa que poderia oferecer seria acelerar o encerramento da campanha salarial e antecipar o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
O endividamento tem sido um problema nacional. Neste ano, o Brasil atingiu o maior índice de endividamento das famílias desde o início da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). Em abril, 80,9% das famílias brasileiras declararam possuir algum tipo de dívida. O índice foi impulsionado pela alta taxa de juros, pelo crescimento do uso do crédito rotativo, pela pressão do custo de vida e pelo avanço das apostas online (bets) sobre o orçamento doméstico.
A Federação Nacional dos Bancários (FNB), a qual o Sindicato é ligado, defende que os bancos ofereçam parcelamento de até 144 vezes para os bancários superendividados, com juros de 0,5% ao mês. A medida é completamente viável diante da lucratividade dos bancos e fundamental para a reorganização dos bancários, após tanto achatamento salarial.
Para o Sindicato dos Bancários de Bauru, a Fenaban deixou claro que prefere enfraquecer a negociação coletiva a enfrentar os problemas reais que afetam milhares de bancários todos os dias. Os bancos não pensam e muito menos preservam a saúde dos trabalhadores! Essa conduta reforça a necessidade de ter, o mais rápido possível, mobilizações por todo o país. A Fenaban precisa entender de uma vez por todas que, se não há negociações e garantia de direitos, os trabalhadores vão cruzar os braços!

