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“Eu quero o CPF de cada gestor”; Superintendente da Caixa assedia gerentes na Paraíba

15/07/2022

Bancos: Caixa Econômica Federal

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Desde o final de junho, semanalmente, há um novo escândalo envolvendo o ex-presidente da Caixa, Pedro Guimarães, ou alguns de seus aliados que também tem em suas bagagens, práticas de assédio moral e sexual contra os funcionários. Desta vez, uma nova denúncia traz como personagem principal uma das superintendentes do banco na Paraíba.

Maria Aline Xavier de Paiva é citada desde março na Corregedoria do banco em, pelo menos, 10 depoimentos sobre assédio moral. Relatos mostram que a superintendente utiliza de frases de cunho sexual para coagir colaboradores e também ameaça aqueles que não alcançarem as metas abusivas que ela estipula. Há casos de funcionários que, no limite da pressão, pediram demissão após serem abordados por Paiva.

De acordo com reportagem do site Congresso em Foco, que teve acesso a áudios de reuniões comandadas pela superintendente com dirigentes e gerentes do banco na Paraíba, Maria Aline realizava encontros com foco na cobrança excessiva por desempenho e colocava a música “Tema de Ayrton Senna”, para tocar de fundo. Vale lembrar que essa mesma música foi usada na campanha de Bolsonaro, em 2018.

“Os meninos têm o privilégio de eu poder arrochar. E você, quem vai lhe arrochar, lhe pegar por trás, é Marcelão. Então eu acho que ainda vai ser pior. Eu pelo menos vou mandar para você um tubinho de Hipoglós que Marcelão anda no bolso… Ei, beijo no coração que agora vamos fazer Previdência. Hoje o dia pede, hoje o dia corre. Valeu. Beijo. Bora que o desafio é grande…”, declara a superintendente.

Em outra ocasião, em tom ameaçador, Maria Aline define como as metas para venda de planos de Previdência do banco precisam ser alcançadas. “A sede tem sangue no olho, eu sei que vocês têm. Então, tratem de mostrar, de vibrar, postar, criar liga. Tem um lema assim: a gente contrata por contrato. A gente contrata gerente, eu estou avaliando todo mundo. Quem quiser crescer, bora. É meritocracia pura”, afirma.

A superintendente também deixava claro que perseguiria os gestores que não cumprissem com o que ela ordenasse. “É no CPF de cada um, não adianta se esconder no CNPJ da agência […] Eu quero o CPF de cada gestor. Eu estou olhando o de cada um”, ameaça em um dos áudios.

Adoecimento mental

Servidores da Caixa das regiões do Sertão e do Brejo Paraibano alegaram ter adoecido após os assédios da superintendente. Os abusos sofridos pelos trabalhadores geraram crises de pânico e outros transtornos psiquiátricos.

Em março, o Sindicato de Bancários da Paraíba e de Campina Grande e Região se reuniram virtualmente com Aline Paiva, que negou a prática de assédio moral e se comprometeu a melhorar as relações de trabalho. No entanto, enquanto a Corregedoria apurava as denúncias, a superintendente continuou atuando com os empregados que a denunciaram.

Poucos meses após as denúncias chegarem à Corregedoria da Caixa, em junho, a superintendente foi promovida a um grupo de trabalho em Brasília.

O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região relembra que a fala da superintendente sobre CPF dos empregados é muito parecida com a dita por Pedro Guimarães, ou seja, a postura do ex-presidente da instituição foi reproduzida por gestores com perfil semelhante.

A entidade repudia o comportamento abusivo de Maria Aline Xavier de Paiva e lamenta que a Caixa siga acobertando esse tipo de conduta nas unidades de todo o país. Ao invés do banco intervir rapidamente na apuração dos casos e defender os trabalhadores vítimas do assédio, teve o descaramento de promover a superintendente. Inaceitável!

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