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Eles podem, sim, conceder reajuste digno aos bancários! Confira o lucro dos bancos privados no último período

07/08/2026

Enquanto os bancos privados seguem anunciando lucros bilionários e comemorando resultados históricos, a realidade enfrentada pelos bancários é bem diferente, com sobrecarga de trabalho, fechamento de agências, redução do quadro de funcionários e crescente precarização do atendimento à população.

A lucratividade do primeiro semestre de 2026 deixa evidente que recursos para conceder reajuste digno para a categoria não faltam. O que falta é vontade de distribuir parte dessa riqueza para quem, diariamente, garante esses resultados.

Itaú

O Itaú registrou lucro líquido gerencial de R$ 24,689 bilhões no primeiro semestre, crescimento de 9,1% em relação ao mesmo período de 2025. Apenas no segundo trimestre, o banco lucrou R$ 12,407 bilhões.

Apesar do desempenho extraordinário, a instituição continua reduzindo sua estrutura: em apenas 12 meses, extinguiu 5.118 postos de trabalho, sendo 1.002 somente no último trimestre, além de fechar 451 agências em todo o país.

Bradesco

O Bradesco obteve lucro líquido recorrente de R$ 13,861 bilhões no primeiro semestre, alta de 16,2% em relação ao mesmo período do ano passado, sendo o melhor desempenho entre os três maiores bancos privados. Segundo o próprio banco, este é o décimo trimestre consecutivo de crescimento do lucro.

Entretanto, em doze meses, o Bradesco eliminou 2.448 postos de trabalho, sendo 868 apenas no segundo trimestre, e encerrou as atividades de 324 agências. A contradição é ainda mais evidente quando se observa que sua base de clientes cresceu em 300 mil pessoas no mesmo período, alcançando 110,4 milhões de clientes. Ou seja, mais clientes sendo atendidos por menos trabalhadores.

Santander

O Santander obteve R$ 6,802 bilhões de lucro no primeiro semestre de 2026 e reduziu seu quadro em 6.591 empregos nos últimos doze meses, sendo 2.334 apenas no primeiro semestre deste ano. A instituição ainda fechou 178 agências e 179 postos de atendimento bancário (PABs), mesmo ampliando sua base para 72,3 milhões de clientes, um crescimento de 3,5 milhões em relação ao ano anterior.

Mercantil

Já o Banco Mercantil encerrou o segundo trimestre com lucro líquido de R$ 275 milhões, alta de 13% na comparação anual, alcançando o 15º trimestre consecutivo de lucro recorde.

Líderes na América Latina

Os resultados dos bancos brasileiros também impressionam no cenário internacional. Segundo cálculos da Federação Latino-americana de Bancos (Felaban), as instituições financeiras do Brasil lucraram US$ 45,8 bilhões em 2025, superando, sozinhas, a soma dos lucros obtidos pelos bancos de outros 15 países da América Latina, que juntos alcançaram US$ 43 bilhões.

Depois do Brasil aparecem México (US$ 17 bilhões), Chile (US$ 5,8 bilhões), Peru (US$ 4,2 bilhões) e Colômbia (US$ 3,8 bilhões).

Para o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, os banqueiros têm plenas condições de conceder um reajuste salarial digno, preservar empregos, contratar mais funcionários e investir em melhores condições de trabalho. Dinheiro existe. Lucro existe. O que falta é respeito com quem constrói esses resultados.

Se os banqueiros insistirem em negar um reajuste justo e continuarem desvalorizando a categoria, os bancários vão dar a resposta nas ruas e nos locais de trabalho. Se é grave, é greve!

 

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