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Sindicato dos Bancários e Financiários
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Doenças ocupacionais: falta de humanidade agrava adoecimento de bancários

Psicóloga Alessandra Scapin concede entrevista ao Sindicato sobre doenças adquiridas no trabalho

07/08/2019

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No dia 30 de julho, o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região realizou uma palestra com a psicóloga Alessandra Scapin sobre doenças ocupacionais. O Sindicato promoverá cada vez mais esse tipo de atividade, que ajuda os bancários a entender problemas crônicos relacionados à categoria. Em breve, a palestra estará disponível no canal do Sindicato no YouTube (seebbauru).

Diretoria de Formação e Saúde do Sindicato com a psicóloga Alessandra Scapin, mestre em Educação e pesquisadora cadastrada no CNPq

Como o tema é de extrema importância, a entidade também entrevistou a psicóloga. Leia a seguir:

Sindicato – Como as organizações de trabalho têm piorado o adoecimento dos trabalhadores?
Uma das principais causas é a tecnologização cada vez maior dos processos e das atividades de trabalho, com mais vigilância e controle, mas também metas exageradas, competitividade desleal, cobranças abusivas, a necessidade de estar disponível 24 horas por dia, além da sensação de que nada disso é suficiente, ou seja os trabalhadores estão submetidos ao impossível de ser alcançado.

Os transtornos mentais ocupacionais ultrapassam as doenças físicas? Quais são as principais doenças ocupacionais que acometem os bancários?
Já é aceito na comunidade científica e médica hoje que 90% das doenças físicas tem origem emocional e psicológica. Pesquisas recentes apontam que na categoria bancária já existem mais afastamentos por ‘transtornos mentais ocupacionais’ do que por LER ou Dort que antigamente afastavam muitos trabalhadores. As principais são a Síndrome de Burnout, Ansiedade e Depressão.

Quais são os principais sintomas que podem alertar os trabalhadores para algumas dessas doenças?
Os sintomas variam muito de pessoa para pessoa inclusive em intensidade, os mais comuns são: falta de vontade de ir para o trabalho, dor de cabeça frequente, insônia, falta de concentração, sentimento de fracasso e insegurança, alterações repentinas de humor, pressão alta, dores musculares, problemas gastrointestinais, pensamentos negativos e alteração de batimentos cardíacos.

As doenças psicossomáticas também são consequentes do trabalho em excesso? Quais são elas?
Com certeza. Além das já citadas, há também o Estresse Crônico e a Demência, que podem levar ao suicídio – infelizmente, também com índices cada vez maiores.

Como podemos promover a conscientização e prevenção dos comportamentos suicidas?
Penso que a melhor forma ainda é formação e informação, precisamos falar mais solidariamente com menos medo, e ouvir mais também, criar espaços para que o trabalhador em sofrimento se sinta acolhido e à vontade para se expressar.

Entre janeiro e junho de 2019, ocorreram 17.279 desligamentos na categoria bancária, ou seja, o medo da demissão é uma constante entre os trabalhadores. Como a mente responde a esse medo?
Vivemos hoje no Brasil um momento absolutamente complicado sob inúmeros pontos de vista. O medo da demissão representa viver literalmente à beira do abismo, podendo cair a qualquer instante.

Qual a importância da psicoterapia no tratamento das doenças ocupacionais? E o tratamento com medicamentos, caminha lado a lado à psicoterapia?
Para qualquer doença que envolva a saúde mental, ocupacional ou não, são necessárias 3 medidas simultâneas e indispensáveis: o devido tratamento medicamentoso e seriamente acompanhado, a psicoterapia com profissional habilitado e mudanças na qualidade de vida. Apenas uma ou duas dessas medidas não garantem o sucesso do tratamento.

Como vencer o preconceito em relação à terapia?
Formação e informação de qualidade são as únicas formas de vencer os preconceitos, sejam eles quais forem: sociais, raciais, sexuais. E com a psicoterapia não é diferente. Precisamos nos educar.

Como os bancos podem mudar toda essa situação de adoecimento na categoria?
É fundamental que os espaços de trabalho sejam mais humanos e menos “robotizantes” e alienadores, pois isso é um forte fator de adoecimento. Poderíamos pensar em várias estratégias que envolvam mudanças na rotina de trabalho, nos ambientes, horários, metas, discussões sobre papéis individuais e coletivos, relacionamentos, fluxos etc. É necessário iniciar uma ampla discussão com todos os envolvidos, identificar os principais fatores e ter vontade de transformar a realidade.

O telefone da psicóloga Alessandra Scapin é o (14) 99834-5678. Agende uma consulta.

 

Em parceria com o Centro de Valorização da Vida (CVV), o Sindicato continua promovendo o “Programa de Exercício de Vida Plena”. As datas dos encontros são as seguintes:
10/8: das 13h30 às 15h30
24/8: das 13h30 às 15h30
31/8: das 9 horas às 11h30
12/9: das 9 horas às 11h30
Qualquer pessoa pode se inscrever. Basta ligar para o Sindicato no número (14) 3102-7270.

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