O Santander tem adotado uma postura contraditória em relação ao uso de celulares particulares por seus trabalhadores. De acordo com as normas de segurança bancária e com o regulamento interno da própria instituição, é proibida a utilização de aparelhos pessoais nas áreas de atendimento e operacionais. A restrição visa combater distração, vazamento acidental de dados de clientes, falhas de segurança operacionais, entre outros fatores que podem enquadrar quebra de sigilo bancário. O descumprimento das normas podem resultar em demissão por justa causa.
No entanto, ao mesmo tempo em que restringe o uso desses dispositivos, o banco não fornece celulares corporativos e exige que os trabalhadores utilizem seus próprios aparelhos para realizar a venda de produtos e serviços financeiros aos clientes.
Ação do Sindicato
O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região ajuizou em 2023 uma ação coletiva exigindo que o Santander forneça equipamento corporativo a todos os empregados. Além disso, também solicitou o pagamento de indenização e reembolso pelo uso/desgaste do aparelho de celular pessoal; o pagamento de horas de sobreaviso – quando o trabalhador tem a obrigação de atender os chamados fora do horário de trabalho; e que o banco seja obrigado a limitar o uso do celular corporativo às dependências do local de trabalho durante a jornada.
Na época, a entidade recebeu denúncias anônimas relatando que o banco obriga seus funcionários a usarem celular particular para venderem produtos financeiros aos clientes e, com isso, muitas trabalhadoras recebem mensagens e imagens de caráter sexual, sem qualquer consentimento.
Em uma das denúncias, uma bancária conta que utilizou seu celular particular, sob determinação do banco, para oferecer um produto a um cliente, quando, sem qualquer consentimento, recebeu proposta de sexo e, em seguida, uma foto do homem nu se masturbando. “Não, obrigado. Mas se você quiser transar”, disse o cliente que também enviou foto de visualização única – recurso do WhatsApp.
Outra bancária, que terá seu nome e agência onde atua mantidos em sigilo, procurou a entidade e relatou que, após entrar em contato com um cliente sobre serviços financeiros do banco, ele passou a enviar mensagens diárias, inclusive, aos finais de semana, com poesias e cantadas. A situação ficou ainda mais absurda e insustentável quando, inesperadamente, a bancária recebeu um áudio da esposa do cliente, a ameaçando de morte.
Em julho de 2024, o Ministério Público do Trabalho de São Paulo (MPT) instaurou processo para apurar os casos de importunação sexual. A denúncia ao órgão foi feita pela deputada federal Sâmia Bomfim, que acolheu pedido de ajuda do Sindicato.
A ação do Sindicato obteve vitória parcial em primeira instância, com a condenação do banco ao pagamento de reembolso pelo uso e desgaste do aparelho celular utilizado como ferramenta de trabalho. A entidade já recorreu da decisão e busca o acolhimento dos demais pedidos apresentados na ação.
Basta de transferir aos trabalhadores os custos e as responsabilidades que são seus, Santander!

