O movimento sindical participou de uma reunião com o Santander no dia 25 de novembro, para discutir o avanço do processo de reestruturação. Segundo dados do Dieese, apesar do crescimento contínuo da base de clientes, o banco segue reduzindo de forma agressiva o número de agências e de funcionários.
Desde 2019, quando a reestruturação foi iniciada, o Santander fechou 1.367 agências, uma redução de 58,7%. No mesmo período, o número de clientes aumentou em 22,3 milhões (+47,4%). A média de clientes por empregado saltou 36,1% (de 988,8 para 1.346,2), enquanto a média de clientes por agência explodiu 256,9%. A própria holding encolheu em ritmo acelerado, com 2.171 demissões em apenas três meses e 3.288 em doze meses.
Contraste gritante
O Santander Brasil registrou R$ 11,5 bilhões de lucro nos primeiros nove meses de 2025, mantendo-se entre os três maiores bancos privados do país e ostentando o melhor índice de eficiência do setor (37,5%). A operação brasileira, inclusive, figura entre as mais lucrativas de todo o conglomerado global.
Esse desempenho expressivo contrasta com a política de reestruturação que penaliza diretamente os trabalhadores e clientes. O banco cresce, lucra e se torna mais eficiente, à custa de menos agências, menos empregos e mais pressão sobre quem permanece. A sobrecarga, que já vinha aumentando, tornou-se regra. Como consequência, intensificaram-se os impactos sobre a saúde dos bancários, com mais relatos de estresse, ansiedade, depressão e afastamentos por adoecimento.
O movimento sindical cobrou que qualquer mudança deve ser precedida negociações. O Santander, porém, afirmou que não pretende anunciar mudanças significativas, apenas uma recarteirização no segmento de Empresas, sem fornecer mais detalhes por se tratar de informação estratégica.
Duartina e Lençóis Paulista
O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região tem recebido denúncias de que as agências do Santander em Duartina e Lençóis Paulista enfrentam longas filas e contam com número insuficiente de funcionários para atender a população.
Para a entidade, a situação no Santander está insustentável e extremamente desgastante. As mudanças implementadas sem negociação com os representantes dos trabalhares e sem qualquer transparência ampliam a sensação de insegurança entre os funcionários, que temem perder o emprego enquanto lidam com um público cada vez mais numeroso e visivelmente insatisfeito.

