No início desta semana, o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, ao lado de representantes dos Sindicatos dos Bancários do Maranhão (SEEB-MA) e do Rio Grande do Norte (SEEB-RN), entregou as minutas de reivindicações da categoria referentes à Campanha Salarial 2026. Os documentos foram construídos coletivamente durante o 1º Encontro da Federação Nacional dos Bancários (FNB), consolidando as principais demandas dos trabalhadores para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e dos acordos coletivos.
A minuta destinada à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) foi entregue no dia 6 de julho pelo diretor Paulo Tonon ao diretor-executivo de Relações Institucionais, Trabalhistas e Sindicais da entidade, Adauto de Oliveira.
Já no dia 7, foi a vez da entrega da pauta específica do Banco do Brasil à DIPES (Diretoria de Pessoas). Além das reivindicações gerais, os representantes dos trabalhadores protocolaram uma minuta exclusiva para os caixas, elaborada pela União Nacional de Caixas do Banco do Brasil (UNACaiexBB) e incorporada pelos sindicatos que integram a FNB. O documento busca fortalecer a luta em defesa de direitos e das condições de trabalho desses funcionários, historicamente afetados por reestruturações e retirada de atribuições.
Enquanto Fenaban e Banco do Brasil receberam as pautas, a postura da Caixa Econômica Federal foi na contramão do diálogo. Até o momento, o banco sequer se dispôs a receber os representantes dos trabalhadores para o protocolo da minuta de reivindicações, demonstrando um desrespeito ao movimento sindical, ao processo negocial e aos empregados que mantêm a instituição pública funcionando diariamente.
Fenaban nega ultratividade
As negociações devem se estender ao longo de julho e agosto. A data-base da categoria é 1º de setembro e, mais uma vez, a Fenaban se recuso a assinar um termo de ultratividade, mecanismo que garantiria a manutenção dos direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho e nos acordos específicos enquanto as negociações permanecessem em andamento.
Desde a reforma trabalhista de 2017 (Lei nº 13.467), a ultratividade deixou de ser assegurada pela legislação, tornando sua formalização dependente da concordância entre as partes. Ao rejeitar esse compromisso, a Fenaban impõe uma pressão covarde sobre a campanha salarial, colocando em risco direitos históricos da categoria caso os acordos não sejam assinados até a data-base.
A estratégia fortalece a posição dos bancos na mesa de negociação e tenta reduzir o espaço de mobilização dos trabalhadores, que passam a negociar sob a ameaça permanente de perder conquistas acumuladas ao longo de décadas de luta.
O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região alerta que a Fenaban é conhecida por prolongar as negociações até o último minuto. Contudo, se depender da FNB, que reúne os sindicatos de Bauru, Maranhão, Rio Grande do Norte e diversas oposições bancárias pelo país, a mobilização continuará firme até que a categoria tenha suas reivindicações atendidas. Caso o contrário, é greve!
Confira a íntegra das propostas:
- Minuta de reivindicações à Fenaban
- Minuta de reivindicações ao Banco do Brasil
- Minuta exclusiva para os caixas do BB: https://www.unacaiexbb.com.br/2026/04/resultados-da-consulta-unacaiexbb-pauta.html?m=1
- Minuta de reivindicações à Caixa Econômica Federal
Banqueiros com bolsos cheios, bancários com migalhas
Enquanto os bancos acumulam lucros históricos, os reajustes salariais da categoria bancária seguem em ritmo muito inferior ao crescimento da riqueza produzida pelo setor. Em apenas cinco anos, o lucro líquido dos bancos mais que dobrou, passando de R$ 106,4 bilhões, em 2020, para R$ 255 bilhões, em 2025.
Em contrapartida, os trabalhadores que contribuem diretamente para a geração desses resultados enfrentam arrocho salarial e desvalorização. Entre 2018 e 2025, a política de valorização do salário mínimo garantiu um crescimento médio anual de 6,24%. No mesmo período, os reajustes conquistados pela categoria bancária tiveram média anual de apenas 5,58%, limitando-se, em grande parte, à reposição da inflação e a pequenos ganhos reais.
Essa diferença demonstra que, mesmo atuando em um dos setores mais lucrativos da economia, os bancários não acompanharam o crescimento da riqueza, acumulando perdas em seu poder de compra ao longo dos anos (veja abaixo tabela comparativa.)
Diante desse cenário, a FNB defende que um reajuste salarial justo deveria ser de 53,58%, aplicado sobre salários, pisos, gratificações, adicionais, comissões e demais verbas de natureza salarial previstas na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Esse percentual resulta da soma de três fatores:
- Reposição integral da variação acumulada do INPC/IBGE verificada nos 12 meses anteriores à data-base, correspondente a 4,11%;
- Percentual correspondente à média das perdas salariais acumuladas da categoria bancária em bancos privados desde julho de 1994, apuradas com base nos reajustes efetivamente concedidos à categoria no período, no valor de 34,47%;
- Percentual equivalente à média de crescimento dos ativos totais dos cinco maiores bancos em atividade no país, apurada com base nos balanços financeiros do exercício imediatamente anterior à data-base, no valor de 15%.


SEEBBAURU, SEEB-MA e SEEB-RN entregam minuta de reivindicações ao BB



