A Caixa Econômica Federal enviou uma notificação ao Sindicato dos Bancários de Bauru e Região exigindo que, no prazo de 48 horas, seja firmado um acordo sobre a manutenção de equipes mínimas durante o movimento grevista.
Para isso, exige a manutenção de:
- 30% dos empregados nas atividades críticas e essenciais (pagamento de benefícios sociais, FGTS);
- 50% dos empregados nas atividades críticas e essenciais (compensação interbancária, tesouraria, repasses de convênios, sistemas transacionais de tecnologia da informação);
- 30% dos empregados nas agências físicas, digitais e pontos de atendimento;
- 30% dos empregados nas demais áreas administrativas.
Além disso, a Caixa informou que, caso não haja acordo, pretende recorrer à Justiça para garantir a manutenção das equipes. O banco também exige que o Sindicato e os bancários não realizem o que classifica como piquetes “coercitivos”.
Para o Sindicato, é curioso e contraditório que a Caixa tenha tanta pressa para notificar a entidade, cobrar a manutenção de equipes mínimas e ameaçar recorrer à Justiça, mas não tenha demonstrado a mesma disposição quando o assunto era ouvir e negociar as reivindicações dos trabalhadores.
Desde junho, o banco se recusa a receber o Sindicato, em Brasília, para a entrega da pauta de reivindicações da Frente Nacional dos Bancários (FNB), da qual a entidade faz parte. Ou seja, quando se trata das reivindicações dos empregados, a negociação pode esperar. Quando se trata de garantir o funcionamento do banco durante uma greve, a urgência aparece acompanhada da ameaça de judicialização.
O Sindicato ressalta que não aceitará que o direito constitucional de greve seja tratado sob ameaça. A greve é um instrumento legítimo dos trabalhadores e existe justamente para pressionar quando a negociação não avança como deveria. Se há preocupação com os impactos da paralisação, a resposta deveria ser mais diálogo e negociação, e não pressão sobre a entidade sindical.
Sobre a tentativa de caracterizar a mobilização dos trabalhadores como “coercitiva”, o Sindicato frisa que organização, mobilização e pressão legítima fazem parte de qualquer movimento grevista. O que não pode acontecer é utilizar esse tipo de discurso para tentar deslegitimar a luta dos empregados.
Se a Caixa realmente quer diálogo, o Sindicato está à disposição, mas diálogo não pode existir apenas quando é conveniente para o banco.

