Há nove anos, a categoria bancária convive com uma política de omissão da Contraf-CUT perante os banqueiros. Enquanto trabalhadores enfrentam desvalorização, precarização das condições de trabalho, perda de direitos, pressão crescente por metas, sobrecarga de trabalho e adoecimento, a Contraf-CUT vem conduzindo as campanhas salariais sem apresentar uma resposta à altura dos ataques.
A maior entidade de representação do setor financeiro do Brasil (8 federações e 104 sindicatos) teve dois meses para pressionar os banqueiros e mobilizar a categoria diante das propostas rebaixadas. Em vez disso, permaneceu inerte, sem sequer convocar assembleias para discutir a deflagração de greve. No dia 4 de setembro, deu o golpe final nas expectativas dos bancários e sepultou a possibilidade de a categoria conquistar uma Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) com reajuste digno e ampliação de direitos.
De acordo com a Contraf-CUT, todos os sindicatos das capitais aprovaram, exceto Boa Vista (RR) e outros sindicatos com bases menores.
Assembleia
Na base do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, que é oposição à entidade pelega, a proposta da Fenaban foi rejeitada veemente. No entanto, em razão do aceite em nível nacional, a entidade terá que assinar a CCT nesta quarta-feira (9). Diante disso, o Sindicato realiza assembleia nesta terça-feira (8), às 18h, para, infelizmente, formalizar a aprovação.
BB
Os bancários de Bauru e região rejeitaram a proposta do Banco do Brasil e ansiavam por greve. Contudo, a maioria dos sindicatos ligados à Contraf rejeitou a proposta apresentada e decidiu pela retomada das negociações.
O que chama a atenção é que, neste ano, o Vota Bem, portal de assembleias da Confederação, apresentou uma opção que nunca havia aparecido anteriormente: a retomada das negociações.
Para o Sindicato, a inclusão dessa alternativa não foi por acaso. A impressão é de que a votação já foi estruturada com “cartas marcadas”. Ao oferecer a retomada das negociações como uma alternativa previamente colocada no sistema, é criada a expectativa de que novas rodadas possam resultar em pequenas “conquistas”, como o aumento do abono oferecido, enquanto questões mais importantes para os trabalhadores permanecem sem solução. Dessa forma, a própria dinâmica da votação acaba enfraquecendo a possibilidade de rejeição da proposta e, consequentemente, de deflagração de uma greve.
Portanto, o Sindicato questiona a forma como esse processo foi conduzido e a própria legitimidade de uma votação que, ao que tudo indica, já apresentava previamente o caminho a ser seguido.
Até o momento, não há nenhuma informação sobre quando será essa nova negociação com o BB.
Caixa
A proposta da Caixa foi rejeitada pela grande maioria das bases sindicais. Em 93 bases sindicais da Contraf-CUT os empregados decidiram deflagrar greve por tempo indeterminado a partir do dia 10.
Na base do Sindicato, a maioria dos trabalhadores da base aprovou a adesão ao movimento nacional. A decisão representa um ajuste no calendário aprovado anteriormente pela categoria em Bauru. Na assembleia anterior, os bancários haviam definido o início da greve para o dia 8. Naquele momento, porém, ainda não havia um indicativo nacional de paralisação. Com a aprovação da greve por sindicatos de diversas regiões do país para o dia 10, a categoria decidiu acompanhar o movimento nacional e unificar a mobilização.

