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Eles querem nos cozinhar! Negociação com a Fenaban se estenderá durante toda semana, mas Contraf-CUT não convoca assembleias

24/08/2026

A semana mal começou, e o rumo das negociações entre a Contraf-CUT e a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) já dá sinais preocupantes sobre a reta final da campanha salarial dos bancários. A Contraf-CUT divulgou o calendário das próximas rodadas de negociação, que acontecem a partir desta segunda-feira (24) e seguem até sexta-feira (28), sempre às 10h.

Na teoria, esta deveria ser uma semana decisiva. Na prática, os trabalhadores estão sob uma pressão que poderia ter sido evitada. A data-base da categoria é 1º de setembro, próxima terça-feira, mas a Fenaban se recusou a assinar um termo de ultratividade, mecanismo que garantiria a manutenção dos direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho e nos acordos específicos enquanto as negociações permanecessem em andamento.

A recusa dos bancos não é um detalhe burocrático. Ao deixar a categoria sem a garantia da ultratividade, a Fenaban fortalece sua posição na mesa de negociação e aumenta a pressão sobre os trabalhadores, que passam a negociar sob a ameaça de perder direitos e conquistas construídos ao longo de décadas de luta.

Para o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, o problema não está apenas na postura da Fenaban. A condução da campanha pela Contraf-CUT também merece ser duramente questionada e criticada. Ao prolongar as negociações sem convocar a categoria para assembleias que possam deliberar sobre uma greve, a Confederação deixa a campanha ser “cozinhada” até o último momento, para então, entre sexta-feira e a manhã de segunda-feira, tentar encerrar a campanha sem que os trabalhadores tenham tido a oportunidade de lutar verdadeiramente.

Não é possível aceitar que uma campanha salarial seja conduzida a portas fechadas enquanto os bancários ficam apenas aguardando o resultado das negociações. A paralisação nacional realizada no dia 20 foi uma demonstração concreta de que existe disposição para a luta. A categoria mostrou que está mobilizada e que pode reagir. O que falta, neste momento, não é disposição dos trabalhadores, mas uma representante que tenha coragem de convocá-los para paralisar as atividades por tempo indeterminado.

O Sindicato, ao lado das oposições bancárias de todo o país, vai se reunir para discutir formas de enfrentar essa condução e construir uma alternativa de mobilização. Não aceitaremos que uma campanha construída com a força e a participação dos trabalhadores termine em um acordo feito às pressas e sem que a categoria seja chamada a decidir.

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