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Cara de pau! Fenaban não apresenta proposta de reajuste e ainda quer congelar a PLR dos bancários

05/08/2026

A Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) voltou a demonstrar seu total desrespeito aos bancários na 6ª rodada de negociação da Campanha Salarial 2026. Sem apresentar qualquer proposta de reajuste para salários, vales e demais verbas econômicas, ainda teve a ousadia de sugerir o congelamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

A justificativa apresentada é tão absurda quanto conveniente. Ela alega que os bancos já possuem programas próprios de remuneração variável e que o setor estaria sofrendo com o aumento da concorrência. O discurso, porém, não se sustenta diante dos resultados bilionários divulgados pelas próprias instituições financeiras (veja abaixo).

Além disso, afirmou que irá apresentar uma proposta geral para as reivindicações, incluindo reajustes na remuneração, igualdade de oportunidades, saúde e condições de trabalho, somente no dia 13 de agosto, quinta-feira que vem. Ou seja, meados de agosto, quando a categoria já caminha para a data-base, 1º de setembro, e não há acordo sobre a ultratividade, mecanismo que garantiria a manutenção dos direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e nos acordos específicos enquanto as negociações permanecessem em andamento.

Para relembrar, desde a reforma trabalhista de 2017 (Lei nº 13.467), a ultratividade deixou de ser assegurada pela legislação, tornando sua formalização dependente da concordância entre as partes. Ao rejeitar esse compromisso, a Fenaban impõe uma forte pressão sobre a campanha salarial, colocando em risco direitos históricos da categoria caso os acordos não sejam assinados até a data-base.

O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região não se surpreende com a falta de vontade da Fenaban em negociar e a inércia da Contraf-CUT, que não convoca assembleias para decretar estado de greve e organizar de fato a categoria.

“Sofrência”

A tentativa de congelar a PLR é ainda mais injustificável quando se observam os números do próprio sistema financeiro. A PLR não é um benefício concedido por boa vontade dos bancos. É uma conquista da categoria e representa o reconhecimento pelo trabalho dos bancários, verdadeiros responsáveis pelos resultados bilionários das instituições financeiras.

Embora a Convenção Coletiva permita a distribuição de até 15% do lucro líquido, os grandes bancos privados destinam, em média, míseros 5,9%. Enquanto isso, os bancos acumulam lucros cada vez maiores:

  • Em 2025, os cinco maiores bancos do país lucraram, juntos, R$ 124 bilhões;
  • Todo o setor bancário registrou lucro líquido de R$ 171 bilhões;
  • O patrimônio líquido do sistema bancário alcançou R$ 1,2 trilhão.

Além disso, o suposto impacto da concorrência das instituições de pagamento e das fintechs não passa de uma desculpa esfarrapada da Fenaban. Os próprios números desmontam essa narrativa,.

Em 2025, quase 60% de todo o patrimônio de um grupo de 164 bancos analisados estava concentrado em instituições que obtiveram rentabilidade entre 10% e 30% ao ano, índices considerados excepcionais para qualquer setor da economia.

Apesar de cerca de 17% dos bancos (aproximadamente 28 instituições) tenham registrado prejuízo, eles representam apenas 1% de todo o patrimônio do sistema financeiro.

Já entre as 181 instituições de pagamento (IPs), apontadas pela Fenaban como grandes concorrentes dos bancos, o cenário foi bastante diferente. A maior parte (45%) registrou rentabilidade de até 10%; apenas 25% superou os 30% de rentabilidade; e o Nubank, sozinho, concentra 21% de todo o patrimônio líquido desse grupo.

Mobilização na base

Diante da enrolação, o Sindicato reafirma que é fundamental unificar e fortalecer as mobilizações. A entidade intensificará os atos em diversas cidades da base para pressionar os bancos a apresentarem uma proposta digna e compatível com a realidade do setor.

 

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