A mesa de negociação sobre as cláusulas econômicas da Campanha Nacional dos Bancários, realizada no dia 30 entre o movimento sindical e a Fenaban, terminou sem qualquer novidade. Os representantes dos bancos irão analisar as reivindicações apresentadas e devem se posicionar apenas no dia 4 de agosto, quando acontece mais uma rodada de negociação.
Enquanto isso, os bancários seguem defendendo uma pauta que busca recuperar direitos e o poder de compra da categoria. Entre as principais reivindicações estão reajuste salarial acima da inflação, aumento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), valorização dos vales alimentação (VA) e refeição (VR), além da elevação do piso salarial.
PLR cada vez menor
Os números mostram que, apesar dos lucros recordes dos bancos, a parcela destinada aos trabalhadores diminuiu ao longo dos anos. Quando as negociações da PLR começaram, em 1995, Bradesco e Itaú distribuíam cerca de 14% dos lucros aos funcionários. Em 1997, esse percentual caiu para 10% e continuou sendo reduzido.
Em 2025, os três maiores bancos privados destinaram entre apenas 5,4% e 7,1% do lucro líquido aos empregados. Embora a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) permita distribuição de até 15% dos lucros, apenas a Caixa atingiu esse patamar. O Banco do Brasil ficou próximo, com cerca de 11%.
VA e VR perderam poder de compra
Levantamento do Dieese aponta que os benefícios de alimentação acumulam perdas significativas. Entre 2019 e 2025, o VA perdeu aproximadamente 13% do seu poder de compra. Já o VR acumula perda de 3,7% entre 2023 e 2025.
Para que o vale-alimentação recupere o mesmo poder de compra que possuía em setembro de 2019, seria necessário um reajuste próximo de 40%, elevando o benefício mensal dos atuais R$ 924,47 para R$ 1.293,73.
O vale-refeição também está defasado. Hoje fixado em R$ 53,33 por dia, já não acompanha a alta dos preços dos restaurantes, sendo self-service ou prato feito.
Piso salarial
Outra reivindicação é a elevação do piso salarial da categoria para R$ 7.999,44, valor correspondente ao salário mínimo ideal calculado pelo Dieese em maio de 2026. O estudo considera o custo necessário para garantir alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência para uma família de quatro pessoas.
O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, que tem atuação e reivindicações diferentes da Contraf-CUT (responsável por negociar com os banqueiros em nome da categoria) defende reajuste acima da inflação, valorização do VA e VR, distribuição mais justa da PLR, recuperação das perdas salariais acumuladas pelos trabalhadores dos bancos privados desde julho de 1994, estimadas em 34,47%, e aumento do piso da categoria.
A pergunta que fica após a negociação de índice econômico é: por que os grandes sindicatos ainda não convocaram assembleias para debater o andamento da campanha salarial com os bancários?
Sem espaços de discussão e deliberação coletiva, a mobilização perde força e a categoria fica restrita ao papel de espectadora das negociações. A campanha salarial não pode ser conduzida apenas pela Contraf-CUT em mesas de negociação. São os bancários que vivem a realidade dos locais de trabalho, enfrentam metas abusivas e produzem os lucros bilionários dos bancos. Por isso, precisam participar das decisões e definir, em assembleia, os rumos da mobilização e da luta.


