A segunda rodada de negociações entre a Fenaban e o movimento sindical, realizada em 7 de julho no âmbito da Campanha Salarial da categoria bancária, terminou, mais uma vez, sem qualquer conquista. Os representantes dos bancos rejeitaram uma reivindicação considerada essencial não apenas para os trabalhadores, mas também para a população que depende dos serviços bancários.
Após apresentar um balanço que escancara o ritmo acelerado de fechamento de postos de trabalho e de agências em todo o país, o movimento sindical exigiu, como “prova de boa-fé”, a suspensão das demissões e do encerramento de unidades enquanto as negociações estiverem em andamento, previstas para seguir até o fim de agosto. A resposta da Fenaban foi um sonoro “não”.
Além disso, foram reivindicadas: indenização adicional em caso de demissão; retorno das homologações nos sindicatos; ampliação das cláusulas de qualificação e requalificação de trabalhadores na área de TI; e criação de um banco de talentos bancários.
Desmonte
Entre janeiro de 2015 e maio de 2026, os bancos eliminaram cerca de 93,3 mil postos de trabalho. Somente no último ano, o Santander extinguiu 6.196 vagas, o Itaú 4.620, o Bradesco 3.017 e o Banco do Brasil 1.498. Juntas, essas quatro instituições encerraram 15.331 empregos.
No mesmo período, a rede de agências encolheu 42%, com o fechamento de cerca de 9,5 mil unidades em todo o país.
Em contrapartida, entre 2015 e 2025, os contratos com correspondentes bancários cresceram 49%. Ou seja, enquanto fecham agências e eliminam postos de trabalho, os bancos investem em modelos de atendimento cada vez mais precarizados e sem bancários, substituindo profissionais qualificados por canais automatizados e empresas como floriculturas e padarias, em nome da redução de custos.
O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região ressalta que o desmonte da categoria, iniciado há mais de uma década, se consolidou como política das instituições financeiras e nem mesmo os lucros recordes alteraram essa estratégia. Apenas em 2025, os cinco maiores bancos do país registraram lucro líquido de R$ 124 bilhões. Ainda assim, as demissões, o fechamento de agências e a precarização do atendimento seguem sem folga, como se os bancos ignorassem que estão desmontando a própria estrutura responsável por sustentar seus resultados.
Sem bancários qualificados, não há robô, inteligência artificial ou algoritmo capaz de oferecer um atendimento realmente eficiente, conquistar a confiança dos clientes e manter os níveis de lucratividade que hoje fazem dos bancos um dos setores mais rentáveis do país.
Menor presença de mulheres
Entre 2020 e maio de 2026, do total de postos de trabalho eliminados, 25,5 mil (79% do total) eram ocupados por mulheres. Em apenas um ano, de 2024 para 2025, a participação feminina na categoria caiu de 49% para menos de 47%.
Os números revelam que o desmonte da categoria tem gênero. Para o Sindicato, esse retrocesso é inadmissível e coloca em xeque décadas de conquistas das trabalhadoras e políticas de inclusão, igualdade salarial e ascensão profissional.

