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Bancário PCD é demitido pelo Itaú após anos enfrentando assédio moral

Demissão ocorreu na agência da Ezequiel Ramos, em Bauru

01/04/2026

Bancos: Itaú

Protesto realizado no dia 1º de abril, na agência da Ezequiel Ramos

No início de março, um bancário PCD (Pessoa com Deficiência), que atuava como agente de negócios na agência da Ezequiel Ramos, em Bauru, foi demitido sob a justificativa de baixa produtividade, após quatro anos marcados por assédio moral constante e condições de trabalho abusivas.

Ao procurar o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, o trabalhador relatou uma rotina de cobranças excessivas por metas, realizadas “por todos os meios possíveis”, dentro e fora do expediente. Mensagens via Teams e WhatsApp pessoal eram frequentes, inclusive no período da noite, por volta das 20h.

O grupo de comunicação da equipe era chamado de “Máquinas”, evidenciando a forma desumanizada com que os trabalhadores eram tratados. Perguntas debochadas, como “Cadê vocês?” ou “Ah, você veio trabalhar hoje?”, eram recorrentes. A gerente geral chegou a afirmar que, ao não realizar uma venda, o funcionário “não pagava o próprio salário”, desconsiderando completamente outras funções essenciais, como o atendimento ao público.

A situação tornou-se ainda mais grave com denúncias de práticas ilegais. Segundo o bancário, havia imposição para que toda conta corrente aberta incluísse obrigatoriamente algum produto, como seguros ou títulos de capitalização, independentemente do interesse do cliente. Esses serviços eram apresentados como tarifas obrigatórias.

O Sindicato ressalta que condicionar a contratação de um produto a outro, sem o consentimento claro do consumidor, configura “venda casada”, prática proibida pelo Código de Defesa do Consumidor.

Retaliação

Em diversas ocasiões, o trabalhador se recusou a aderir a esse tipo de conduta. Como consequência, sofreu retaliações, como sua retirada do atendimento ao público. Mesmo ao tentar agir corretamente, acabou sendo advertido ao encerrar uma conta e cancelar produtos indevidos contratados por outro colega, a pedido de uma cliente insatisfeita.

A partir desse episódio, segundo seu relato, passou a ser isolado pela gestão. “Eu virei um pária”, afirmou. Ele relatou que deixou de ser incluído nas rotinas da equipe, passou a ser ignorado pela gerente geral e era frequentemente deslocado, de forma unilateral e sem aviso prévio, para cobrir ausências em outras agências.

Essa instabilidade e exclusão impactaram diretamente sua saúde mental, agravando quadros de ansiedade e depressão. O trabalhador também afirmou ter sido frequentemente esquecido em momentos de integração, como confraternizações de fim de ano.

Discriminação e falta de inclusão

Os relatos também apontam para um cenário de discriminação. O bancário passou a suspeitar que sua condição como PCD influenciava o tratamento recebido. Segundo ele, outro funcionário PCD também não teve oportunidades de crescimento, enquanto colegas com menos tempo de casa foram promovidos.

Além disso, a agência não oferecia condições adequadas de acessibilidade. Não havia banheiro adaptado e existiam barreiras físicas, como degraus em áreas como o caixa, que dificultavam ou impediam o acesso.

“O grande marketing de inclusão do banco não passa de uma obrigação para cumprir cotas legais”, criticou o trabalhador. Ele afirmou que nunca teve igualdade de oportunidades, sendo frequentemente deslocado de função e tratado como “faz-tudo”, ao mesmo tempo em que era cobrado por metas equivalentes às dos demais.

Ironicamente, a gestora mencionada foi desligada antes da demissão do trabalhador. Isso indica que, enquanto o modelo de gestão gerava lucratividade para a agência, a conduta, ainda que completamente equivocada, era aceita e até incentivada pelo Itaú. No entanto, quando surgiram denúncias, a responsável foi descartada como se fosse um caso isolado, permitindo à instituição se eximir de responsabilidade.

O Sindicato repudia a conduta da ex-gerente geral e a conivência do Itaú. Para a entidade, o caso expõe, mais uma vez, a contradição entre o discurso institucional do banco e a realidade vivida por seus trabalhadores. Metas não podem se sobrepor à ética, e inclusão não deve ser apenas uma peça de marketing. Penalizar um trabalhador por agir corretamente e por possuir uma condição diferente não configura gestão, mas sim desumanização e incoerência.

O bancário já está sendo atendido pelo departamento jurídico e, nos próximos dias, a entidade realizará uma manifestação em protesto contra essa situação, denunciando o caso à população e à imprensa. Apesar do Itaú ter informado que a vaga de PCD já foi reposta, a substituição de um trabalhador não apaga as irregularidades denunciadas. O caso não será abafado. O Sindicato seguirá acompanhando e cobrando responsabilização, para que práticas abusivas, discriminatórias e ilegais não continuem sendo naturalizadas dentro das agências.

Fred, diretor do Sindicato, protesta contra demissão e discriminação do Itaú

 

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