A sexta-feira 13 que antecedeu o Carnaval foi marcada por protesto, e não por folia, em Duartina. O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região realizou um ato em frente à agência do Santander, que anunciou o fechamento da única unidade da cidade, a partir do dia 6 de março.
Em formato de funeral, a manifestação chamou a atenção da população. Um caixão, duas coroas de flores e a encenação de uma carpideira representaram, de forma simbólica, a “morte” da agência e o “enterro” do respeito aos clientes. O ato chamou a atenção da imprensa e de quem passava pelo local.
Abandono
A partir de março, qualquer cliente ou usuário que precise de atendimento presencial será obrigado a pegar a estrada até Garça, a 47 quilômetros de distância. São mais de 30 minutos de viagem, isso para quem tem carro, saúde e condições de se deslocar. Para muitos clientes, especialmente idosos, simplesmente não é uma opção. É exclusão.
No dia do protesto, o cenário já era de abandono: cerca de 30 pessoas aguardavam atendimento, a maioria idosos, enquanto apenas duas funcionárias tentavam dar conta de toda a demanda. Entre os clientes estava uma idosa, correntista há anos e portadora de marcapasso, que lamentou o fim do atendimento na cidade. Segundo ela, se já é difícil se deslocar até a agência, devido à mobilidade reduzida e às comorbidades, imagine precisar ir até outra cidade para resolver pendências bancárias.
Insegurança entre trabalhadores
Além do impacto para os clientes, o fechamento também gera apreensão entre os funcionários. As duas bancárias da unidade serão realocadas para Garça. No entanto, vigilantes e trabalhadores de serviços gerais ainda não receberam informações sobre a manutenção de seus empregos, o que aumenta o clima de insegurança.
O Sindicato segue acompanhando todo o processo de fechamento de mais uma agência que está a uma pá de ser “enterrada” pela ganância do Santander e por sua política de desmonte. Mesmo após registrar lucro líquido gerencial de R$ 15,615 bilhões em 2025, o banco mantém o desmonte de sua rede física em todo o país. Entre 2020 e 2025, foram fechadas 741 agências.
O fechamento da agência de Duartina confirma o que o Sindicato vem denunciando há tempos. Toda agência do Santander, localizada em municípios com menos de 40 mil habitantes, será sistematicamente fechada.
Apesar da manifestação ser uma encenação de um funeral, o sentimento de luto é concreto e coletivo. Luto pelo respeito perdido, pelo atendimento que deixa de existir, por uma cidade que perde um serviço essencial e também o luto das trabalhadoras, obrigadas a enfrentar estradas todos os dias para manter seus empregos.




