A Caixa Econômica Federal alterou as regras do SuperCaixa, programa de remuneração variável da instituição. A principal mudança estabelece que o pagamento da premiação, antes realizado de forma trimestral e individual, passe a ser semestral e condicionado ao desempenho coletivo das agências, o que, na prática, já vem causando prejuízos diretos à renda dos empregados.
Pelo novo modelo, a remuneração variável só será paga se a unidade atingir 100% ou mais das metas estabelecidas. A regra elimina o reconhecimento pelo desempenho individual e vincula o pagamento ao resultado global da agência, independentemente do esforço pessoal de cada trabalhador. Profissionais que antes eram reconhecidos por sua performance passam, agora, a “pagar o pato” por fatores que fogem completamente ao seu controle.
Para o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, a mudança representa um mecanismo punitivo de pressão coletiva, que desvaloriza o mérito individual e fragiliza os ganhos dos trabalhadores. Além de dependerem de um ciclo mais longo para receber a premiação, os empregados ficam sujeitos a critérios cada vez mais rígidos e inalcançáveis.
Índice de satisfação do cliente
O Sindicato recebeu denúncias de que, além de atingir alta performance, as agências não podem registrar cancelamentos de vendas e precisam alcançar 100% no índice de satisfação do cliente para que a premiação seja liberada.
Empregados consideram que o critério é injusto e punitivo, especialmente em cidades que enfrentaram fechamento de agências e aumento do fluxo de atendimento. “Imagine uma cidade onde clientes aguardam mais de duas horas na fila e depois recebem um SMS para avaliar o atendimento. Se a avaliação for negativa, ninguém da agência recebe a premiação, inclusive quem nem sequer realizou aquele atendimento”, criticou um trabalhador.
Há casos de bancários que alcançaram mais de R$ 90 mil em metas no segundo semestre de 2025 e, ainda assim, podem deixar de receber a premiação devido ao índice de satisfação geral da unidade. “Gerentes que realizaram visitas, negociações e vendas com avaliações positivas serão prejudicados por avaliações negativas relacionadas, por exemplo, ao atendimento social, setor que costuma registrar longas filas, especialmente no fim do ano”, exemplificou.
Para o Sindicato, as mudanças representam um retrocesso e não condizem com a realidade das agências. Ao transferir integralmente aos empregados a responsabilidade por metas abusivas e por um índice de satisfação, a CEF penaliza coletivamente quem mantém a instituição funcionando todos os dias. A insatisfação dos clientes geralmente está ligada ao tempo de espera nas filas e isso não é responsabilidade dos empregados. A demora é consequência direta da política da própria Caixa, que vem fechando unidades e deixando de contratar funcionários, o que sobrecarrega as equipes e aumenta o fluxo de atendimento nas agências.
Esse modelo de premiação tende a aumentar o adoecimento e a desmotivação dos trabalhadores. Afinal, quem não é reconhecido, mesmo entregando resultados e se dedicando diariamente, perde o estímulo para continuar se empenhando. A entidade pretende realizar, ainda neste mês, um ato em protesto contra essa conduta da Caixa.

