A Caixa Econômica Federal tem histórico de jogar para debaixo do tapete os casos de assédio sexual que ocorrem no ambiente de trabalho. Embora o caso emblemático envolvendo Pedro Guimarães (ex-presidente do banco denunciado em 2022 por diversos episódios de assédio sexual e moral durante sua gestão e que atualmente responde como réu na Justiça) tenha levado a instituição a firmar acordos milionários com o Ministério Público do Trabalho e a anunciar medidas de enfrentamento ao problema, os abusos continuam a ocorrer.
O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região tomou conhecimento de que a Superintendência Regional (SR) de Bauru tem sido palco de casos semelhantes.
O assédio moral, praticado através de cobrança abusiva de metas, ameaças de transferência ou de descomissionamento, exposição vexatória, entre outras condutas, é, na maioria das vezes, presenciado por colegas. Isso facilita as denúncias e a comprovação dos casos quando vêm à tona. Já o assédio sexual costuma ter início de forma velada, nas entrelinhas.
Elogios e cantadas indesejadas, pontuais ou repetitivas e com foco no corpo da vítima, tanto em interações presenciais quanto em conversas realizadas por meio do Microsoft Teams, configuram exemplos de assédio sexual.
Hierarquia do assédio
Embora existam três principais tipos de assédio sexual no ambiente de trabalho, a forma mais recorrente é o assédio vertical, onde um superior hierárquico assedia um subordinado. Nesses casos, o assediador frequentemente utiliza sua posição de poder, fazendo promessas de ascensão profissional ou outras vantagens em troca de favorecimento sexual.
Os outros tipos são o assédio vertical ascendente, no qual um subordinado assedia um superior hierárquico, e o assédio horizontal, que ocorre entre pessoas que ocupam o mesmo nível de hierarquia.
Coragem
O caso em investigação evidencia como a atitude corajosa de uma vítima ao quebrar o silêncio pode incentivar outras vítimas a denunciarem os abusos, contribuindo para que o ciclo de violência seja interrompido.
Apesar da Caixa ter lançado, em fevereiro de 2024, uma cartilha de orientação aos diretores e empregados da instituição, detalhando condutas que caracterizam assédio moral e sexual no ambiente de trabalho (veja abaixo), muitos assediadores ainda se sentem confortáveis e não temem agir dessa forma, sem qualquer receio de consequências.
Esse cenário evidencia as falhas graves do banco, que demora a investigar, protela apurações e, na prática, acaba protegendo o assediador. Ao agir assim, a cultura machista e de impunidade, onde os homens se sentem no direito de fazer o que bem entendem, é reforçada e perpetuada.
O Sindicato já está acompanhando a situação na SR e não deixará que os casos sejam minimizados ou esquecidos. Assediadores morais e sexuais precisam ser devidamente responsabilizados e punidos!
Canal de denúncia
A entidade ressalta que possui um canal de denúncias direcionado especialmente aos bancários. O contato é: (14) 99868-4934. As denúncias podem ser feitas via WhatsApp, SMS ou ligação. O sigilo é verdadeiramente garantido.
Atitudes que configuram assédio sexual, segundo a própria CEF
- Insinuações explícitas ou veladas, de caráter sexual;
- Gestos e palavras escritas ou faladas, de caráter sexual;
- Oferecer benefícios e promessas de tratamento diferenciado em qualquer ambiente, em troca de favores sexuais;
- Chantagem para permanência ou promoção no emprego;
- Ameaças de represálias, veladas ou explícitas;
- Intimidação e ofensa para obter vantagem sexual;
- Conversas indesejáveis e ofensivas sobre temas íntimos;
- Narração de piadas e uso de expressões de conteúdo sexual ou de baixo calão;
- Contato físico não permitido;
- Solicitação de favores sexuais;
- Convites impertinentes e/ou insistentes e não desejados;
- Pressão para participar de “encontros” e saídas;
- Envio de mensagem de Whatsapp, direct ou até mesmo ligações com teor sexual, à pessoa com quem só tem uma relação de trabalho;
- Perseguição e perturbação na internet, nas redes sociais e até mesmo nas ruas;
- Expor imagens íntimas de empregado propositalmente;
- Realizar avaliações apenas pelos atributos físicos e fazer comentários sobre as roupas do empregado.

A campanha “É preciso reagir ao assédio e ao adoecimento!” segue a todo vapor! Os diretores do Sindicato estão entregando o “remédio coletivo” em todas as agências de Bauru e região.

A campanha publicitária do Sindicato para denunciar o assédio institucionalizado nos bancos está no ar na TV TEM desde o dia 15 de janeiro, durante os intervalos dos telejornais Bom Dia Cidade, TEM Notícias 1ª edição e TEM Notícias 2ª edição. Na região de Avaré, a veiculação está prevista para o mês de fevereiro.

