No final de novembro, durante uma reunião com os gerentes gerais de agências (GGA’s) do Itaú, regionais informaram que, a partir de janeiro, diversos cargos deixariam de existir, entre eles os de GGA, GA e líderes de tesouraria.
Embora não tenham detalhado como a medida seria implementada, foi comunicado que as travas do POC (Programa de Oportunidades e Carreiras) estavam liberadas e que os funcionários deveriam se candidatar às vagas disponíveis no sistema, que se encerraram no dia 30 daquele mês. As vagas seriam restritas aos funcionários que apresentassem desempenho diferenciado no último trimestre do ano. Além disso, de forma inesperada, os gerentes uniclass foram orientados a se inscrever em vagas do próprio cargo. A recomendação gerou questionamentos, especialmente quanto à necessidade de disputar novamente a mesma função que já exercem.
Na ocasião, os bancários relataram ter sofrido pressão para acelerar a entrega de resultados, especialmente os indicadores do GERA, em um clima de ameaça velada, sustentado pelo discurso de que “não se sabia o que aconteceria em janeiro”.
Novas agências digitais
Questionado pelo movimento sindical de São Paulo sobre a conduta adotada, o Itaú informou que busca priorizar funcionários da rede de agências diante da abertura de novas agências digitais. A expansão deve gerar cerca de 110 novas posições, entre GGA’s e gerentes de relacionamento digital. A instituição também informou que o cargo de gerente de atendimento não será extinto.
Para o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, a condução do processo evidencia a falta de planejamento e transparência do Itaú. Se a intenção do banco era incentivar a participação nos processos seletivos internos e demonstrar valorização de seus funcionários, o resultado foi justamente o oposto. A estratégia adotada se baseou no medo e na insegurança. Muitos bancários sequer tinham interesse em se candidatar às vagas, mas acabaram fazendo isso por receio de perder o cargo ou até o emprego.
A entidade reforça que mudanças estruturais devem ser conduzidas com diálogo claro e respeitoso com o movimento sindical e com os funcionários, e não por meio de práticas que fragilizam ainda mais as condições de trabalho e a saúde dos trabalhadores.

