Em meio à possibilidade de transformar a agência de Avaré em um espaço voltado exclusivamente a clientes com renda mensal entre R$ 7 mil e R$ 15 mil, o Itaú demitiu três bancários no último mês, entre eles, uma trabalhadora que enfrenta um quadro delicado de endometriose.
A bancária foi dispensada sem justa causa após enfrentar sucessivos episódios de discriminação no ambiente de trabalho. Houve recusa de atestados médicos, além de chacotas e da constante minimização de seu tratamento e das dores provocadas pela doença.
A endometriose é uma doença inflamatória crônica, que afeta cerca de 15% das mulheres, caracterizada pelo crescimento de tecido endometrial fora do útero. No caso da bancária, a doença cresceu em parte do intestino, causando dor e cólicas intensas. No caso da bancária, a doença atingiu parte do intestino, causando crises recorrentes de dor intensa. Ainda assim, ela seguia trabalhando mesmo medicada, chegando a vomitar durante o expediente devido à intensidade das dores. “Por diversas vezes, mesmo com muita dor, eu era cobrada para produzir e vender. Recebia ameaças de que meu desempenho poderia gerar meu desligamento em breve, mesmo trabalhando à base de Tramadol 50 mg.”
Constrangimento e desrespeito
Segundo relato, havia a possibilidade de consulta com uma especialista em outra cidade. Ao informar o gestor de que precisaria se ausentar por um período, passou a ser questionada de forma constrangedora sobre sua condição. Em determinado momento, ao mencionar a possibilidade de engravidar, ouviu como resposta: “p*t* que pariu, aí é f#da hein!”, evidenciando total desrespeito e insensibilidade.
Além disso, o gestor se recusou a aceitar atestado médico quando, durante o horário de almoço, ela precisou se dirigir à emergência em razão de fortes dores. Enquanto estava no pronto atendimento, recebeu mensagens insistentes questionando quando retornaria e alegando demora. Ao apresentar o atestado, foi coagida a compensar as horas “perdidas” no hospital e pressionada a acessar o notebook para continuar trabalhando após o fechamento da agência, mesmo estando medicada e em visível condição incapacitante.
No início de janeiro, o Regional visitou a agência e afirmou que não pretendia desligar ninguém, mas sim investir na capacitação da equipe. A bancária, apreensiva com o tom motivacional e provocativo da reunião, procurou o gestor para desabafar sobre sua saúde. Ele a tranquilizou, dizendo que enfrentariam a situação juntos, com foco na melhoria dos resultados e na busca por um tratamento adequado para a endometriose. No entanto, poucos dias depois, ela foi desligada. “Ficou claro para mim que, diante do meu quadro de saúde, eu não era mais considerada apta para permanecer no banco”, lamentou.
O Sindicato já está oferecendo apoio para a trabalhadora e irá buscar na Justiça sua reintegração e indenização por danos morais pela demissão discriminatória.
Elitização
Na capital paulista, o chamado “Espaço Uniclass” oferece aos clientes um ambiente com café, wi-fi e atendimento personalizado com especialistas em investimentos. Até mesmo uma loja da Stanley — conhecida pelos copos térmicos e caros — com personalização de produtos na hora está presente na unidade. Ou seja, a proposta se assemelha ao Work Café, do Santander Brasil. O horário da unidade também é diferenciado, com atendimento até as 19h e aos sábados e domingos. Apesar de outros clientes poderem acessar o espaço, somente os clientes Uniclass terão descontos.

Espaço Uniclass localizado na Avenida Paulista, em SP
Para o Sindicato, a medida representa um processo inaceitável de elitização dos serviços bancários, ao concentrar estrutura e diferenciais em um público específico, em detrimento do atendimento tradicional e amplo. Uma cidade com pouco mais de 96 mil habitantes não demanda esse tipo de estrutura voltada à segmentação elitizada. A prioridade deveria ser a manutenção de empregos e a ampliação do atendimento de qualidade para todos os clientes, com redução de filas e melhoria dos serviços.
Em protesto contra as demissões e a possível transformação da agência, o Sindicato realizou uma manifestação no dia 24, denunciando os casos à população e imprensa.



Pego no pulo! Embora a transformação da agência ainda não tenha sido oficializada, no dia do ato os diretores se depararam com uma empresa já realizando a troca do mobiliário da unidade

