O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região vem a público denunciar a contradição e a conduta discriminatória do Banco do Brasil no pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
Os bancários das bases de Bauru, Maranhão e Rio Grande do Norte seguem sem receber a primeira parcela da PLR, que foi creditada nacionalmente em 16 de setembro. Segundo o Banco do Brasil, o pagamento não foi efetuado a essas bases porque as entidades sindicais responsáveis não teriam firmado o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) até as 14 horas do dia 11 de setembro.
Entretanto, o próprio procedimento adotado pelo banco coloca esse argumento em xeque. No dia 16 de setembro, o Banco do Brasil creditou a PLR aos trabalhadores da base do Sindicato dos Bancários de São José dos Campos e Região. A assembleia daquela entidade para aprovação do ACT foi convocada para 14 de setembro, das 12 às 18 horas, portanto, após o prazo de 11 de setembro estabelecido pelo banco.
Situação semelhante ocorreu no Ceará. Os trabalhadores daquela base receberam a PLR, embora a assembleia tenha sido realizada em 11 de setembro, até as 17 horas, também depois do horário-limite de 14 horas informado pelo Banco do Brasil.
Para o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, os casos demonstram que o prazo alegado pelo banco não foi aplicado de forma uniforme. Diante disso, é nítido que o Banco do Brasil está adotando uma postura de retaliação contra o SEEB Bauru, o SEEB-MA e o SEEB-RN, entidades que fazem oposição à Contraf-CUT e que, durante as negociações, mobilizaram os trabalhadores em defesa de suas reivindicações e pela paralisação das atividades.
Live sem diálogo
Na noite de quinta-feira (17), o Banco do Brasil realizou uma live com a participação do vice-presidente de Pessoas, do negociador do banco e da Dipes, com o objetivo de explicar aos trabalhadores os motivos pelos quais a primeira parcela da PLR não foi paga.
Apesar de se tratar de um momento destinado a prestar esclarecimentos aos trabalhadores, o chat da transmissão foi bloqueado, impedindo que os bancários fizessem perguntas, apresentassem críticas ou manifestassem sua insatisfação diretamente aos representantes do banco. O BB também tentou responsabilizar os sindicatos pela não assinatura e pelo prejuízo causado aos bancários.
Para o Sindicato, é baixa a tentativa de responsabilizar as entidades. Além disso, impedir os bancários de se manifestar e questionar os representantes do banco é uma atitude antidemocrática e que reforça a percepção de que o BB estaria adotando uma postura de retaliação.
O Sindicato já acionou o Judiciário para que o Banco do Brasil seja obrigado a esclarecer os critérios efetivamente utilizados para o pagamento da PLR.

