A cada chuva de intensidade intermediária a forte, Bauru revive um cenário que, infelizmente, já se tornou rotineiro e alarmante. Em questão de minutos, as principais vias da cidade tornam-se intransitáveis, com bueiros entupidos por lixo, enxurradas tão intensas que chegam a formar ondas, ruas alagadas, trânsito paralisado e motoristas ilhados. Além disso, ocorrem quedas de árvores, crateras no asfalto e prejuízos espalhados por todos os bairros, evidenciando a precariedade da infraestrutura urbana e a má gestão da cidade.
O caso mais emblemático é o da Avenida Nações Unidas, principal via de Bauru. Em dias de chuva, ela se transforma literalmente em um rio. Pouca gente sabe que a via foi construída sobre o antigo Córrego das Flores. Esse córrego foi canalizado e, sobre ele, a avenida foi implantada. No entanto, o sistema de canalização é insuficiente para comportar o volume de água das chuvas, fazendo com que a avenida se transforma em um “rio”.
Enquanto isso, diversos pontos da cidade, como a Avenida Nuno de Assis, rotatória da Comendador José da Silva Martha (próxima à linha férrea), Avenida Alfredo Maia e a pista marginal (sentido bairro) da Nações Norte, enfrentam os prejuízos de um sistema de drenagem insuficiente e obsoleto.
Negligência
Bauru passa por décadas de má gestão. Nos últimos mandatos, Tuga, Agostinho, Gazzetta e Rosim nada fizeram de concreto para evitar o agravamento do problema. Sem planejamento de longo prazo e investimentos estruturais capazes de minimizar os impactos das chuvas, Bauru afunda, literalmente, chuva a chuva e a população convive com o medo a cada previsão de temporal.
Para o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, a cidade não pode continuar refém da chuva e de um governo negligente, que não cumpre sequer uma fração do que promete. Desde 2021, a prefeita Suéllen Rosim afirma que vai “vencer” o problema, mas até agora nada foi feito. Tentar resolver os alagamentos sem obras estruturais é como querer secá-los com um pano furado.


