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Burnout não faz distinção de cargo: GGs do BB são afastados por adoecimento relacionado ao trabalho

30/06/2026

Bancos: Banco do Brasil

A epidemia de burnout na categoria bancária não faz não faz distinção de cargo ou posição hierárquica. O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região acompanha atualmente dois casos de gerentes gerais do Banco do Brasil afastados em razão da doença. Não por acaso, ambos estão vinculados à Regional de Marília.

Até se tornarem GGs, esses trabalhadores passam por diversas etapas de desenvolvimento e aprimoramento profissional. Ninguém chega a um cargo de liderança sem antes ser escriturário e adquirir experiência em outras funções. O “perfil” deles, como os bancos costumam denominar as características necessárias para assumir uma função de tamanha responsabilidade, inclui proatividade, boa comunicação, visão estratégica e habilidade para coordenar equipes. Contudo, quando assumem o posto, precisam lidar com a pressão excessiva da superintendência e da regional para atingir as metas impostas e apenas obedecer às determinações que vêm de cima. É nesse contexto, marcado por cobranças constantes e resultados cada vez mais difíceis de alcançar, que o adoecimento se instala.

O burnout se manifesta de diferentes formas. Entre os sintomas mais comuns estão o cansaço extremo, a sensação permanente de esgotamento físico e mental, a dificuldade de concentração, a irritabilidade, os distúrbios do sono, a perda de motivação para o trabalho e sentimentos de incompetência e fracasso. Em casos mais graves, como desses trabalhadores, a doença pode levar à depressão profunda, transtornos ansiosos e ao isolamento social.

Problema institucional

O fato de gerentes gerais estarem adoecendo evidencia que o problema não está na capacidade individual dos trabalhadores, mas no modelo de gestão adotado pelo Banco do Brasil. Quando até profissionais altamente qualificados, experientes e preparados para liderar equipes sucumbem à pressão, fica ainda mais evidente que as exigências ultrapassaram os limites do razoável.

A situação se agravou após o rodízio de agências promovido pelo banco, onde muitos terão prejuízos salariais em razão de um decesso na carreira, ao serem transferidos para unidades de menor porte. Além disso, os critérios para ascensão ou rebaixamento frequentemente são subjetivos, ficando “a gosto” do superintendente ou regional do banco. Um absurdo!

Além disso, a Instrução Normativa (IN) do Banco do Brasil prevê que apenas um semestre de avaliação insatisfatória ou de desempenho abaixo do esperado pode resultar na perda da função comissionada. Nesses casos, o bancário retorna ao cargo de escriturário, sofrendo uma redução salarial que pode representar milhares de reais. A medida aprofunda o clima de insegurança e pressão constante, deixando os trabalhadores à mercê das “graças” do regional e superintendente.

Para o Sindicato, é fundamental que o Banco do Brasil reveja sua normativa e assuma sua responsabilidade na prevenção do adoecimento mental, combatendo a cultura da cobrança abusiva por metas e deixando de tratar a saúde dos trabalhadores com desdém. O medo de adoecer está diretamente ligado ao medo do julgamento. Muitos gerentes gerais se sentem envergonhados quando precisam admitir que não estão bem. Afinal, quem deseja se afastar correndo o risco de perder a função, ser transferido ou ter seu sofrimento minimizado e desacreditado?

Trabalho não é vida. Trabalho é sustento!

O burnout costuma atingir justamente aqueles que mais se dedicam ao trabalho. Quanto maior o envolvimento emocional com a função, quanto mais o trabalhador transforma o emprego em um propósito de vida, maior pode ser o impacto quando a exaustão chega.

O discurso de comprometimento, “vestir a camisa” e entregar sempre mais é incentivado pelas próprias instituições financeiras. Mas é preciso lembrar que, para os bancos, o objetivo final continua sendo o resultado e o lucro. Quando este cai, como aconteceu recentemente no BB, a pressão aumenta, não importando o cargo, a história ou a dedicação daquele trabalhador.

Por isso, é indispensável romper com a ideia de que o banco é um parceiro, reconhecer os próprios limites e não naturalizar práticas abusivas como se fossem parte obrigatória da carreira. O trabalho deve ser fonte de dignidade e sustento, não de sofrimento e adoecimento. Nenhuma meta, nenhum prêmio ou promessa de reconhecimento vale o preço de perder a própria saúde.

Lembre-se: quando o trabalhador adoece, o banco continua funcionando. Mas quem enfrenta as consequências é você, sua família e sua própria vida.

GEPES em cheque

O governo Lula voltou a expandir o número de unidades da GEPES (Gestão de Pessoas) no Banco do Brasil. No entanto, apenas ampliar a presença desse setor não significa, necessariamente, mais respeito aos trabalhadores. Diariamente, o Sindicato conversa com bancários que relatam que, na prática, não existe uma verdadeira Gestão de Pessoas dentro do BB. Faltam acolhimento e autonomia para que os funcionários exerçam plenamente sua função.

“O modelo atual da GEPES é apenas um homologador de tudo que o banco pratica de errado com os seus funcionários, lamentavelmente”, afirma Paulo Tonon, funcionário do Banco do Brasil e coordenador do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região.

NR-01 em vigor

Desde 25 de maio deste ano, está em vigor a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-01), que tornou obrigatória a gestão dos riscos que afetam a saúde mental dos trabalhadores. A principal mudança foi a inclusão dos riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), reconhecendo oficialmente que fatores relacionados à organização do trabalho podem causar danos à saúde.

Entre esses riscos estão o assédio moral, a pressão excessiva por metas, a ausência de pausas adequadas, jornadas extenuantes, conflitos organizacionais e o próprio burnout. A norma determina que as empresas identifiquem esses fatores de risco, avaliem o grau de exposição dos trabalhadores e implementem medidas efetivas para prevenir o adoecimento, promovendo monitoramento contínuo das condições de trabalho e oferecendo treinamentos específicos para gestores e equipes.

O Sindicato defende que esse compromisso seja real e não apenas formal. A entidade irá vigiar de perto o cumprimento das obrigações previstas na NR-01 e cobrar dos bancos públicos e privados medidas concretas de prevenção ao adoecimento mental.

No caso do Banco do Brasil, por exemplo, não basta criar protocolos ou promover campanhas pontuais de conscientização enquanto permanece em vigor uma normativa que permite a perda da função após 90 dias de afastamento.

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