O Santander divulgou seu novo plano trienal para o ciclo de 2026 a 2028. A meta é atingir 210 milhões de clientes e um lucro de 20 bilhões ao fim do período. Atualmente, o banco possui cerca de 180 milhões de clientes e registrou lucro de R$ 15,6 bilhões em 2025.
Entre os objetivos apresentados ao mercado, o banco também pretende alcançar uma rentabilidade (Retorno sobre o Patrimônio Tangível) acima de 20% até 2028, com crescimento de lucro a dois dígitos em todos os anos entre 2026 e 2028. Questionado por investidores sobre a rentabilidade da operação brasileira, significativamente inferior à obtida em outros países onde atua, o Santander afirmou que pretende elevar esse indicador no Brasil de 15,3% em 2025 para 20% em 2028.
Contraste
A busca por resultados cada vez maiores contrasta com a realidade enfrentada pelos trabalhadores do banco. Enquanto o Santander estabelece metas altíssimas para ampliar seus lucros e satisfazer o mercado financeiro, segue promovendo demissões, fechando agências e reduzindo postos de trabalho em todo o país.
Ao mesmo tempo, a instituição anuncia investimentos milionários em uma nova sede corporativa em São Paulo, prevista para entrar em operação no segundo semestre de 2028. O chamado Campus JK será um complexo com mais de 101 mil m² de área construída na Avenida Juscelino Kubitschek, ocupando um terreno de mais de 15 mil m² em uma quadra inteira da avenida.
O empreendimento, composto por três torres corporativas e amplas áreas de convivência, é apresentado pelo banco como um “campus urbano” voltado à inovação e ao bem-estar.
Por envolver uma grande área e uma empresa de grande porte, a transação terá de passar pela análise do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). A intermediação da nova sede foi conduzida pela Colliers Brasil, uma das líderes globais em serviços imobiliários corporativos e gestão de investimentos. Segundo o CEO da empresa, o imóvel ainda pode se transformar em um ativo financeiro no futuro.
“Como instituição financeira, o Santander pode utilizar o imóvel como uma reserva financeira ou, no futuro, estruturar um fundo imobiliário e distribuí-lo em seus próprios canais. Isso abre uma frente estratégica que não está disponível para a maioria das empresas”, afirmou.
Para o Sindicato, o plano apresentado pelo Santander ignora o fato de que os resultados da instituição são produzidos diariamente pelos trabalhadores e pelo relacionamento com seus clientes. Para alcançar metas tão ambiciosas, seria necessário valorizar quem sustenta toda operação, e não promover demissões, sobrecarga de trabalho e precarização do atendimento.
Além disso, o investimento milionário no Campus JK evidencia uma escolha de prioridades. Recursos não faltam quando se trata de grandes projetos imobiliários ou de ampliar a rentabilidade para os acionistas. Já para a valorização dos empregados, a melhoria das condições de trabalho e a manutenção da rede de atendimento à população, o banco segue adotando uma postura de desmonte.

