Depois de 21 reuniões, 19 pessoas ouvidas e forte repercussão nacional, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets foi concluída sem indiciamentos ou propostas legislativas para barrar as apostas virtuais que viraram epidemia no país.
O relatório final da senadora Soraya Thoronicke (Podemos-MS), que pedia o indiciamento de influenciadores digitais, empresários e donos de sites de apostas, foi rejeitado no último dia 12 de junho, por 4 votos a 3. Em dez anos, é a primeira vez que uma CPI do Senado teve o relatório rejeitado.
Votaram contra o relatório os senadores: Angelo Coronel (PSD-BA), Eduardo Gomes (PL-TO), Efraim Filho (União-PB) e Professora Dorinha Seabra (União-TO). Já a favor, votaram a relatora e os senadores Eduardo Girão (Novo-CE) e Alessandro Vieira (MDB-SE).
Segundo Soraya, as denúncias serão encaminhadas à Polícia Federal, Ministério Público do Trabalho e demais autoridades.
Medidas ignoradas
O documento apresentava 20 projetos de lei para conter os danos da exploração de jogos, como a proibição de pessoas inscritas no CadÚnico (instrumento que identifica famílias de baixa renda) de apostar na internet. Muitos brasileiros, sobretudo das classes C, D e E, estão deixando de pagar contas básicas ou comprar alimentos e remédios para manter o hábito de jogar.
Um estudo do Banco Central (BC) aponta que, apenas no ano passado, 5 milhões de beneficiários do Bolsa Família gastaram R$ 3 bilhões em apostas. Estima-se que as bets movimentaram entre R$ 89 bilhões e R$ 129 bilhões só no ano passado.
Blindagem explícita
Ao todo, o relatório pedia o indiciamento de 16 pessoas pela prática de crimes. Dentre os indiciados, estavam as influenciadoras Virgínia Fonseca, por estelionato e propaganda enganosa, e Deolane Bezerra, que chegou a ser presa pela Justiça de Pernambuco, por estelionato, exploração não autorizada de jogos de azar, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.
Para o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, o desfecho da CPI das Bets, embora revoltante, não surpreende. Parlamentares recuaram diante da pressão de poderosos, minimizaram os esquemas bilionários que envolvem manipulação de resultados, e blindaram explicitamente os envolvidos, transformando os depoimentos em espetáculos com jogadas de marketing. Enquanto isso, brasileiros seguem amargando prejuízos morais e financeiros por conta dos jogos de aposta online. Vergonhoso!